O peso da Mosaic na economia de Araxá
- Gi Palermi
- 4 de ago.
- 3 min de leitura
Retorno da Câmara expõe preocupação com o futuro econômico e levanta questionamento: quanto Araxá pode perder com a paralisação da Mosaic?
Quando uma empresa do tamanho da Mosaic reduz suas atividades, não são apenas máquinas que param. Há trabalhadores que perdem renda, famílias que refazem as contas, fornecedores que perdem contratos e comerciantes que sentem a queda do dinheiro circulando. E, em uma cidade com forte ligação histórica com a mineração, a conta pode chegar também aos cofres públicos. Foi esse alerta que o vereador Professor Jales levou à tribuna nesta terça-feira (04.ago.2026) na primeira reunião ordinária da Câmara Municipal de Araxá após o recesso parlamentar de julho.
Jales quer saber quanto dinheiro ligado às atividades da Mosaic entrou nos cofres municipais nos últimos cinco anos e qual será a perda estimada para 2026 e para os próximos exercícios. Também cobra da administração Robson Magela e Bosco Júnior um estudo sobre o impacto financeiro da paralisação e pergunta quais receitas serão afetadas.
Não é uma preocupação pequena. Menos arrecadação pode significar menos dinheiro disponível para obras, programas, contratos e serviços que chegam diretamente à população.
Mas o impacto vai além da dos cofres públicos. O próprio requerimento lembra que a paralisação e a desmobilização anunciadas pela empresa atingem trabalhadores, famílias, fornecedores, comércio e prestadores de serviços. Jales quer saber quais providências a gestão Robson-Bosco pretende adotar para reduzir esses efeitos e acompanhar também as obrigações ambientais da empresa.
É uma discussão que Araxá precisa fazer enquanto ainda há tempo para planejar. Crise anunciada não pode virar desculpa para improviso amanhã.
Na tribuna
O retorno dos vereadores trouxe outras cobranças. Professor Jales também questionou o encerramento de contratos temporários da Prefeitura, principalmente na Educação, Ação Social e Segurança Pública. Ele pediu números, critérios para os desligamentos, documentos e informações sobre eventuais substituições. Também levantou dúvidas sobre os desligamentos ocorridos no período eleitoral, sem antecipar conclusão sobre sua legalidade. Cobrou ainda respostas sobre as progressões dos servidores da Educação e sobre a eleição para a nova composição do Conselho Municipal de Saúde.
Chicão Jesus Te Ama voltou a uma demanda que mexe diretamente com quem precisa de atendimento de saúde: a implantação do PACE, Posto Avançado de Coleta Externa de Sangue. O projeto arquitetônico retornou da Vigilância Sanitária Estadual com apontamentos técnicos, e o vereador quer saber o que precisa ser corrigido, quando o projeto será reapresentado e quando, afinal, o serviço poderá funcionar. Ele também propôs a criação de um Banco Municipal de Medicamentos e apresentou projeto para disciplinar o descarte doméstico de agulhas e seringas, com foco na proteção de garis e catadores.
Fernanda Castelha levou novamente a causa animal à tribuna. A vereadora destacou decisão do STF sobre a responsabilidade dos municípios no acolhimento e tratamento de animais abandonados e cobrou avanços para a abertura do gatil municipal e melhorias na estrutura destinada aos cães.
Jairinho Borges falou sobre as obras da rotatória no encontro das avenidas Dâmaso Drummond e Tônico Veloso com a Rua Francisco Penello. Também reiterou a extensão da pista de caminhada da Avenida João Paulo II e pediu melhorias na iluminação do campo de futebol da comunidade Boca da Mata.
Ordem do dia
Por fim, na Ordem do Dia, a Câmara aprovou o Projeto de Lei nº 193/2026, enviado pelo Executivo. A proposta autoriza a abertura de crédito especial de até R$ 180 mil, com recursos do Fundeb, para construção e ampliação de CEMEI.
A Câmara voltou do recesso. Agora, mais importante que ocupar a tribuna é acompanhar as respostas. Porque problema público não se resolve quando o vereador pergunta. Resolve-se quando alguém responde — e age.
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