Merenda escolar vira alvo de cobrança
Vereadora Maristela cobra esclarecimentos sobre denúncias de redução da merenda; dados da administração apontam gastos de R$ 9,26 milhões até agosto.
Denúncias de redução na quantidade de alimentos enviados às escolas municipais e aos Centros Municipais de Educação Infantil (CEMEIs) chegaram à Câmara de Araxá. O assunto foi levado à tribuna nesta terça-feira (06.out.2026) pela vereadora Maristela Dutra, que cobra explicações da administração Robson Magela e Bosco Júnior sobre a alimentação oferecida às crianças da rede pública. Sete vereadores utilizaram a tribuna durante o Grande Expediente desta terça-feira. Não houve aprovação de projetos de lei na reunião.
A parlamentar apresentou Requerimento, direcionado ao prefeito e à secretária de Educação, Zulma Moreira. O documento relata possíveis problemas no abastecimento das unidades escolares e questiona a aplicação dos recursos destinados à merenda.
Entre as situações mencionadas estão relatos de falta de alimentos básicos, redução das quantidades distribuídas e despensas praticamente vazias.
As denúncias ainda precisam ser apuradas. Mas os relatos preocupam, especialmente porque, para muitas crianças, a alimentação oferecida na escola representa uma parte importante daquilo que comem ao longo do dia.
Dinheiro público
A vereadora apresentou demonstrativos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), segundo os quais Araxá recebeu R$ 2.807.547,20 do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) em 2026, considerando os repasses registrados até a data da consulta, em 6 de outubro.
Maristela também exibiu números apresentados pela própria administração Robson-Bosco durante a audiência pública de prestação de contas do segundo quadrimestre, realizada em 30 de setembro.
Segundo o demonstrativo municipal, os gastos com merenda escolar chegaram a R$ 9.258.598 até agosto. Desse total, R$ 2.308.359 correspondem a recursos federais e R$ 6.950.239 à aplicação de recursos próprios do Município.
Os valores consideram 54 estabelecimentos de ensino, 14.310 alunos e 140 dias letivos.
Os dois demonstrativos possuem períodos de referência diferentes. O primeiro apresenta repasses federais registrados até outubro. O segundo informa despesas com alimentação escolar até agosto, incluindo recursos municipais.
Os números mostram a dimensão do investimento anunciado pela gestão, mas não esclarecem, por si só, se os alimentos chegaram em quantidade suficiente a todas as unidades.
É justamente essa informação que a vereadora exige.
Maristela solicita a relação dos alimentos adquiridos em 2026, com quantidades, preços, fornecedores e processos de compra. Também quer saber quanto foi enviado a cada escola nos últimos três meses e se os cardápios elaborados pelos nutricionistas estão sendo cumpridos.
O requerimento questiona ainda se houve redução, substituição ou interrupção no fornecimento de algum produto e quais providências foram adotadas.
A alimentação escolar não pode ser tratada apenas como uma despesa registrada na contabilidade. O dinheiro precisa se transformar em comida no prato das crianças.
Se os problemas relatados forem confirmados, a administração terá de explicar como uma rede que registra investimentos milionários enfrenta dificuldades na distribuição dos alimentos.
Por enquanto, cabe à Secretaria de Educação esclarecer os fatos e apresentar os documentos solicitados.
Asfalto fiscalizado
O vereador Rodrigo do Comercial Aeroporto apresentou cobranças relacionadas à conservação das ruas de Araxá.
Por meio de Requerimento, solicitou um levantamento das condições da malha viária e um plano de recapeamento que apresente prioridades, cronograma de execução e fontes de recursos.
A cobrança não se limita à quantidade de buracos fechados.
Rodrigo quer conhecer a qualidade dos materiais utilizados, os procedimentos técnicos adotados, os contratos de pavimentação, as medições dos serviços e os valores pagos ao longo de 2026.
O parlamentar também pretende realizar fiscalizações para comparar os serviços informados pela administração Robson-Bosco com aquilo que foi efetivamente executado nas ruas.
A preocupação ganha importância com a chegada do período chuvoso, quando reparos mal executados podem apresentar problemas e exigir novas intervenções.
Também na tribuna, o vereador João Veras mencionou operações tapa-buracos realizadas em diferentes pontos da cidade, entre eles a Avenida Washington Barcelos, a Rua Brígido de Melo Filho e os bairros Alvorada e João Ribeiro.
Enquanto João destacou demandas atendidas, Rodrigo cobrou planejamento, durabilidade e fiscalização dos reparos.
São questões que precisam caminhar juntas. Não basta executar o serviço. É necessário garantir que o dinheiro aplicado produza resultados duradouros.
Segurança pública
A preocupação com a segurança apareceu em diferentes solicitações apresentadas pelos vereadores.
João Veras pediu rondas frequentes da Guarda Patrimonial no entorno da Praça da Juventude, especialmente durante a noite e a madrugada, diante de relatos de insegurança de moradores.
Também solicitou videomonitoramento nas proximidades da Escola Municipal Leonilda Montandon, no cruzamento da Avenida José Severino de Aguiar com a Rua Ernesto Rosa.
Outro pedido de instalação de câmera foi direcionado à estrada vicinal que dá acesso ao Templo Vale do Amanhecer, no bairro Pão de Açúcar. Segundo o vereador, o local sofre com descarte irregular de lixo, entulho e até animais mortos.
João ainda solicitou melhorias na sinalização de faixas de pedestres nas proximidades da BIT Araxá e uma avaliação das vagas destinadas a táxis na Avenida Washington Barcelos.
Rodrigo do Comercial Aeroporto, por sua vez, pediu providências para a limpeza de um terreno na Rua Júlia Leime, no bairro Santa Mônica.
Segundo ele, moradores demonstraram preocupação com o mato alto e a falta de manutenção, especialmente após um roubo registrado nas proximidades.
O parlamentar também apresentou uma homenagem a quatro policiais militares do 37º Batalhão, reconhecendo a atuação da equipe na prisão de um autor de roubo e na recuperação do bem da vítima.
Orçamento de 2027
A Câmara também divulgou, nesta terça-feira, o calendário de tramitação do Projeto de Lei nº 214 de 2026, que estabelece o orçamento do Município para 2027.
A proposta define a previsão de receitas e a autorização de despesas da Prefeitura para o próximo ano.
O prazo para apresentação de emendas segue até 30 de novembro. A audiência pública para discutir o projeto está prevista para 25 de novembro, enquanto a votação deverá ocorrer no início de dezembro.
A população também poderá apresentar sugestões de emendas, encaminhando suas propostas ao e-mail camara@araxa.mg.leg.br.
O orçamento é uma das decisões mais importantes da administração pública. É nele que ficam previstas as despesas com saúde, educação, infraestrutura, assistência social e os demais serviços municipais.
Por isso, a discussão não deve ficar restrita aos vereadores e aos integrantes da Prefeitura.
A participação da população é uma oportunidade de conhecer as prioridades da administração e questionar como o dinheiro arrecadado dos contribuintes será utilizado.
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