Máquina pública inchada engole orçamento de Araxá
- Gi Palermi
- há 14 minutos
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Araxá tem menos moradores e menor orçamento que Patos de Minas, mas gasta R$ 100 milhões a mais por ano com folha de pagamento.
Tem gente que insiste em dizer que político é tudo igual. Que direita e esquerda, no fim das contas, são a mesma coisa. Mas não são. A diferença não aparece apenas nos discursos e nas prioridades. Aparece, principalmente, nos números. E os números, quando são colocados lado a lado, falam alto.
Um quadro comparativo elaborado por Murilo Borges de Castro Alves, engenheiro e consultor, mostra uma diferença que precisa ser encarada com seriedade. A comparação usa dados dos portais de transparência e coloca frente a frente as prefeituras de Araxá e Patos de Minas. E o resultado é incômodo para quem paga imposto em Araxá.
Números incômodos
Patos de Minas é maior. Tem cerca de 160 mil habitantes. Tem mais arrecadação. Um orçamento que passa de R$ 1 bilhão. Araxá tem cerca de 112 mil habitantes e o orçamento na casa dos R$ 780 milhões. Mesmo assim, Patos de Minas gasta menos do que Araxá com folha de pagamento.
Sim. É isso mesmo. Araxá tem custo anual de R$ 342 milhões com a folha. Patos tem R$ 242 milhões. A diferença é de R$ 100 milhões por ano. Agora vamos trazer isso para a vida real.
Conta real
R$ 100 milhões por ano não é número perdido em planilha. É dinheiro que poderia estar na iluminação da sua calçada. No asfalto do seu trajeto de casa para o trabalho. Na consulta que demora. No remédio que falta. Na escola que precisa de melhoria. Na obra que nunca sai. Na mobilidade urbana que Araxá cobra há anos.
Enquanto Patos administra uma cidade maior com uma folha menor, Araxá carrega uma máquina mais cara. E quem paga essa conta é o cidadão.
Araxá tem 4.895 servidores no subtotal, sem contar estagiários. Patos tem 3.602. São 1.293 pessoas a mais na estrutura da Prefeitura de Araxá.
Nos comissionados, a diferença também chama atenção. Araxá tem 330. Patos tem 79. São 251 cargos a mais. E cargo comissionado custa dinheiro todos os meses. Custa no orçamento. Custa na capacidade de investimento da cidade.
Visões opostas
É aqui que a diferença entre direita e esquerda deixa de ser discurso e vira realidade. De um lado está a administração Luís Eduardo Falcão e Sandra Gomes, em Patos de Minas. De outro, a administração Robson Magela e Bosco Júnior, em Araxá.
Não são cidades imaginárias. Falamos de escolhas feitas por gestores reais, com nomes, cargos e responsabilidade sobre o dinheiro público.
Uma gestão com visão de direita busca uma máquina mais enxuta. Menos desperdício. Menos cabide de emprego. Menos estrutura pesada. Mais responsabilidade com o dinheiro suado que sai do bolso do trabalhador por meio dos impostos.
A lógica é simples: o dinheiro precisa sobrar para servir a população, não para sustentar a máquina.
Já uma gestão com visão de esquerda faz o contrário. Aumenta secretarias. Cria cargos. Amplia a estrutura. Incha a máquina pública. Depois, quando precisa fazer obra, diz que não tem dinheiro e corre atrás de empréstimo. É exatamente o que Araxá vive agora.
Dívida no asfalto
A administração Robson Magela e Bosco Júnior quer autorização da Câmara para contratar R$ 50 milhões de empréstimo para recapeamento asfáltico. Com encargos, essa dívida pode chegar perto de R$ 98 milhões ao longo dos anos.
A pergunta é direta: se Araxá não tivesse uma máquina tão cara, precisaria endividar o município para fazer asfalto?
Patos de Minas também chama atenção pelo uso de estagiários. São 510, contra apenas 10 em Araxá. Isso mostra outra forma de organizar o serviço público. O estágio pode ajudar na formação de jovens, apoiar áreas importantes e reduzir custos, sem transformar tudo em cargo permanente ou estrutura inchada.
Exemplo possível
Não se trata de copiar uma cidade de forma cega. Cada município tem sua realidade. Mas bons exemplos existem para serem observados. E Patos mostra que é possível ter população maior, arrecadação maior, máquina mais enxuta e folha menor. A administração de Araxá, ao contrário, escolhe o caminho inverso.
E quando a gestão escolhe gastar mais com a própria estrutura, falta dinheiro onde o cidadão sente. Falta no bairro. Falta na rua. Falta no posto. Falta na obra. Falta no serviço que deveria funcionar.
Pergunta moral
No fim, a discussão não é apenas técnica. É moral. O dinheiro público não pertence ao prefeito, ao vice, aos secretários, aos comissionados ou à Prefeitura. O dinheiro público pertence ao pagador de impostos.
E o pagador de impostos de Araxá tem o direito de perguntar por que uma cidade menor que Patos de Minas gasta R$ 100 milhões a mais por ano com folha.
Também tem o direito de perguntar por que, mesmo com esse gasto enorme, a cidade continua esburacada e a administração ainda quer fazer empréstimo para recapear ruas.
Os números estão aí. Eles mostram que direita e esquerda não são a mesma coisa. Uma visão enxerga o Estado como ferramenta para servir o cidadão. A outra transforma o Estado em uma máquina pesada demais, cara demais e distante demais da vida real. E quando a máquina pesa, quem fica esmagado é o povo.
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