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Sociedade de Medicina reage à crise

Foto do escritor: Gi Palermi
Gi Palermi
25 de set.
2 min de leitura

Entidade repudia tentativa de responsabilizar médicos pelos atrasos e cobra do Município datas, valores e prazos para regularização dos honorários.


A crise entre os médicos dos hospitais Santa Casa de Misericórdia e Casa do Caminho e a administração Robson Magela e Bosco Júnior ganhou mais um capítulo.


A Sociedade de Medicina de Araxá divulgou nesta sexta-feira (25.set.2026) uma nota de repúdio em defesa dos profissionais. O documento rejeita a tentativa de colocar nas costas dos próprios médicos a responsabilidade pelos atrasos nos honorários.


Segundo a entidade, começou a circular a versão de que os pagamentos estariam atrasados porque os médicos demorariam para emitir as notas fiscais.


A resposta foi direta: não é assim que funciona o fluxo de pagamento.


A Sociedade de Medicina explica que o profissional primeiro trabalha, cumpre sua escala e atende os pacientes. Depois ocorre o fechamento dos serviços. A emissão da nota fiscal, segundo a entidade, somente é solicitada posteriormente, após o repasse dos recursos à instituição.


Portanto, afirma a nota, não é aceitável responsabilizar o médico por um atraso ocorrido antes mesmo da etapa em que sua nota fiscal é exigida.


Versões oficiais


A manifestação aparece no meio de uma sequência de versões contraditórias.


Na sexta-feira passada (18), uma nota da Secretaria Municipal de Saúde, publicada com as logomarcas da Santa Casa e do Casa do Caminho, afirmou que não havia qualquer paralisação e orientou a população a buscar informações nos “canais oficiais”. O Município informou ainda que os serviços até junho estavam pagos e que julho e agosto seguiam os trâmites administrativos. 


No dia seguinte, o próprio Corpo Clínico respondeu: havia, sim, um movimento formal de paralisação parcial, comunicado desde 3 de setembro à Secretaria de Saúde, às diretorias dos hospitais, ao CRM-MG e ao Ministério Público.


Agora, a Sociedade de Medicina entra publicamente na discussão.


E há um detalhe difícil de ignorar.


Na quarta-feira (23), a própria administração Robson-Bosco anunciou um novo repasse à Santa Casa para ajudar na regularização dos honorários médicos. O Município informou que liberou uma parcela antes mesmo da conclusão da prestação de contas e deu prazo de 15 dias para a instituição apresentar a documentação dos dois últimos repasses. 


Se não existisse problema no fluxo financeiro, por que seria necessário um novo repasse justamente para regularizar pagamentos?


Contas abertas


A Sociedade de Medicina agora cobra aquilo que deveria encerrar boa parte da discussão: números e documentos.


Quer saber quanto o Município já repassou à Santa Casa para serviços médicos, quais meses ainda estão pendentes, onde exatamente o dinheiro está neste momento e qual é o prazo para quitar integralmente os profissionais.


É uma cobrança simples.


Médico não trabalha com promessa. Médico paga prestação, supermercado, escola, imposto e cartão como qualquer trabalhador.


A discussão administrativa entre Prefeitura e hospital pode ser complexa. O fluxo de prestação de contas pode ter regras. Mas quem cumpriu o plantão não pode ser transformado no culpado pelo atraso do próprio pagamento.


Depois de tantas notas oficiais, desmentidos e justificativas, a Sociedade de Medicina resumiu o que falta nessa história: transparência e responsabilidade na comunicação pública.


E, desta vez, não são apenas médicos isolados reclamando.


É a entidade que os representa dizendo publicamente: a responsabilidade pelo atraso não pode ser empurrada para quem já trabalhou e ainda espera receber.

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