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A cadeira vazia da Copasa

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • 27 de ago.
  • 3 min de leitura

Após anos de cobranças, CPI e promessas, Copasa falta à audiência publica discutiu novos episódios de desabastecimento de água em Araxá.


A frequente falta de água em Araxá levou moradores à Câmara Municipal nesta quarta-feira (26.ago.2026). Mas a Copasa, empresa responsável pelo serviço, não apareceu para dar explicações.


Durante a audiência pública, vereadores e moradores questionaram por que tantos bairros enfrentam cortes frequentes no fornecimento. Também cobraram informações sobre obras, investimentos e medidas para evitar novos problemas.


A Copasa foi convidada. Mesmo assim, não enviou representante nem explicou sua ausência. A administração Robson Magela e Bosco Júnior também não compareceu nem mandou representante. O Ministério Público não participou, mas apresentou uma justificativa formal.


A ausência da Copasa foi um desrespeito. A empresa cobra a conta todos os meses. Quando o consumidor atrasa, enfrenta juros, multa e até corte. Mas, quando falta água nas casas, nos comércios e nas empresas, a companhia nem sequer aparece para ouvir a população.


Durante a audiência, moradores relataram os prejuízos causados pelas interrupções. Algumas famílias afirmaram que chegaram a permanecer cinco dias sem água.


Lucas Magalhães apresentou um levantamento sobre as falhas no abastecimento e as manutenções realizadas. Ele cobrou informações claras sobre o contrato, as tarifas, os planos para situações de emergência e o futuro do serviço.


Os vereadores também questionaram quanto a Copasa arrecada em Araxá e quanto desse dinheiro retorna para a cidade em forma de melhorias.


Outra preocupação é o crescimento de Araxá. Novos bairros surgem. A população aumenta. O sistema de abastecimento precisa crescer junto. Caso contrário, a falta de água poderá se tornar ainda mais frequente.


Cobrança antiga


O embate entre a Câmara e a Copasa não começou hoje. Os registros públicos dos últimos anos mostram uma longa sequência de reclamações, cobranças e promessas.


Em 2021 a Câmara chegou a abrir uma CPI para investigar a atuação da Copasa em Araxá. A investigação durou 180 dias e produziu um relatório de 701 páginas. Foram apontados problemas no abastecimento, no tratamento do esgoto, na qualidade da água e nos reparos das ruas.


Naquele mesmo ano, vereadores cobraram informações sobre dez poços artesianos que deveriam ter sido perfurados e equipados pela Copasa. Também pediram que a companhia avisasse a população com antecedência sobre as interrupções.


Ainda em 2021, Araxá aprovou uma lei que autorizou a criação de um programa municipal para fiscalizar e multar a Copasa nos casos de falta de água.


Em 2022, as conclusões da CPI levaram a Prefeitura a abrir um processo administrativo. A intenção era analisar a qualidade do serviço, as condições do contrato e até uma possível rescisão.


Em 2023, o Ministério Público deu prazo de 60 dias para que a Copasa apresentasse um plano de investimentos e soluções para os problemas encontrados pela CPI.


Em 2024, a Câmara voltou a receber diversas reclamações sobre falta de água. Naquele ano, a Copasa anunciou um investimento de R$ 1,1 milhão na instalação de equipamentos para controlar a pressão da rede e melhorar o abastecimento, principalmente nas partes mais altas da cidade.


Mesmo depois de CPI, lei, investigação, cobranças do Ministério Público e anúncios de investimentos, Araxá chegou a 2026 enfrentando novamente interrupções em vários bairros.


Faltaram respostas


A audiência desta quarta-feira foi importante porque abriu espaço para a população falar. Mas também deixou uma imagem difícil de ignorar: de um lado, cidadãos pedindo respostas; do outro, a cadeira vazia da empresa que deveria oferecê-las.


Ao final do encontro, os vereadores anunciaram que irão elaborar um manifesto para registrar a indignação com a ausência da Copasa e cobrar providências.


O documento é necessário, mas não pode ser o ponto final. Araxá já teve requerimentos, CPI, relatório, processo administrativo, lei de fiscalização e intervenção do Ministério Público. O que ainda falta é o problema ser resolvido.


Araxá precisa de respostas, prazos e investimentos que realmente aumentem a capacidade do sistema.


Água não é favor. Não é luxo. É uma necessidade básica. Quem cobra pelo serviço tem a obrigação de fornecê-lo. E também tem o dever de olhar nos olhos da população quando o serviço falha.

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