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A “Grande Guerra” começa no seu coração

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • 27 de fev. de 2022
  • 5 min de leitura

Apesar do atual cenário geopolítico do mundo ainda vivemos em uma época incomumente pacífica. E, a “Grande Guerra” da nossa geração, não está sendo noticiada pela mídia.

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Se você só se informa pela outrora grande mídia brasileira, é muito provável que você pense que estamos vivendo em uma época extremamente violenta. A mais violenta da história, talvez. Mas, saiba que isso não vem de hoje. O conteúdo midiático que consumimos desde a infância nos leva a acreditar que estamos mesmo!


Chega a ser difícil acompanhar ao noticiário e não ficar cada vez mais temeroso de ataques terroristas, de um choque de civilizações e do uso de armas de destruição em massa.


Se você é leitor assíduo do noticiário nacional “tradicional”, pode ser difícil para você acreditar. Mas, desde o fim da Guerra Fria, em 1989, todos os tipos de conflito organizado – guerras civis, genocídios, repressão por governos autocráticos e ataques terroristas – diminuíram no mundo todo.


Ou seja, em um século que começou com o ataque terrorista do Onze de Setembro nos Estados Unidos, a Guerra do Iraque e o genocídio de Darfur, dizer que, apesar do atual cenário geopolítico do mundo ainda estamos vivendo em uma época incomumente pacífica pode parecer loucura.


Com toda série de confortos e comodidades que nós temos acesso, é fácil esquecer como a vida era perigosa. Não que hoje ela não seja, mas já foi muito mais.


Tendemos a esquecer os perigos que povoavam os acontecimentos de algumas décadas, séculos e até milênios atrás e não dar o devido valor ao fato de que muitos deles tenham desaparecido. Ignoramos que, apesar de todos os perigos que estão hoje à porta, os de ontem eram ainda piores.


Mas, para entendermos isso, precisamos viajar para uma terra estrangeira: o passado.


Passado violento


Imagine viver em um mundo com o temor da escravidão sexual, de torneios letais, punição na cruz, na fogueira, por decaptação, estripação, duelos à pistola para defender a honra e outras tantas formas horrendas de violência. Essa era a realidade de muitas pessoas em vários lugares do mundo nos séculos passados.


Quem está paralisado diante das ultimas notícias se esquece (ou não sabe) que no último século o mundo testemunhou uma época imensamente mais brutal e até ameaçadora do que essa em que vivemos.


Segundo o historiador Quincy Wright, a taxa de mortes nas guerras do século XVII foi de 2% e a taxa de mortes em guerras na primeira metade do século XX foi de 3%. No entanto, se considerarmos que a população do planeta em 1950 era 2,5 bilhões, aproximadamente duas vezes e meia a população de 1800, quatro vezes e meia a de 1600, sete vezes a de 1300 e quinze vezes a de 1 a.C., essa taxa é proporcionalmente muito menor.


O estudo das guerras ganhou maior precisão recentemente graças à disponibilidade de dois conjuntos de dados que indicam a estimativa “conservadora” de 40 milhões de mortes em batalha durante o século XX. O que nos leva à estimativa de que 0,7% da população mundial morreu em batalhas no século passado. Se adicionarmos as mortes por genocídios, expurgos e outros desastres caudados pelo homem, o atrocitologista Matthew White estima que o número fica em torno de 180 milhões de mortes. Isso significa 3% das mortes do século XX.


Dilúvio de sangue


A primeira metade desse mesmo século comportou duas guerras mundiais, a Revolução Russa, a Revolução Cultural Chinesa, o Holodomor, o Holocausto e tantas outras atrocidades – e não à toa ficou conhecido, pela definição de Matthew White como o dilúvio de sangue.


Se compararmos o nosso século com os anteriores, percebemos que grande parte das punições capitais e corporais foram efetivamente eliminadas e o poder do governo para usar a violência contra cidadãos foi reduzido no Ocidente – em boa parte do mundo.


Segundo a historiadora Barbara Hanawalt, até um dos esportes mais populares da Inglaterra do século XV tinha requintes de crueldade:


“Os jogadores, com as mãos atadas às costas, competiam para matar a cabeçadas um gato amarrado a um poste, correndo o risco de ter as faces rasgadas ou os olhos arrancados pelas garras do animal desesperado [...] Ou um porco preso num grande cercado era caçado por homens com porrete sob as gargalhadas dos espectadores enquanto fugia guinchando dos golpes até ser morto a pancadas.”


Não esqueçamos que durante a maior parte da história da civilização, a prática da escravidão – independente da etnia – foi regra e não exceção. A chamada “Atenas democrática” escravizou 35% de sua população na época de Péricles, e o mesmo fez a República Romana. Além disso, o poder de governantes de matar quando lhes desse na cabeça compõe o pano de fundo de histórias contadas no mundo todo.


A título de exemplo: a base para a história de Sheharazade é um rei persa que matava uma nova esposa por dia. O rei Narashimhadev, de Orissa, Índia, exigiu que 12 mil artesãos construíssem um templo em exatamente doze anos ou todos seriam executados.


No livro “Death by government”, o professor Rudolph Rummel estima que antes do século XX governos tenham matado, no mínimo, 133 milhões de pessoas, e o total pode chegar a 625 milhões.


Durante a maior parte da história humana, a justificativa para a guerra foi aquela expressa com precisão por Júlio César: “Vim. Vi. Venci”. Conquista era o que faziam os governos. Impérios ascendiam e caíam, populações inteiras era aniquiladas ou escravizadas, e isso, via de regra, era visto por muitos como normal.


Nos séculos XV, XVI e XVII eclodiam guerras entre países europeus à taxa de aproximadamente três novas guerras por ano. Também não podemos deixar de fora a tão aclamada Revolução Francesa. Uma breve promessa de democracia seguida por uma série de regicídios, golpes, fanáticos, vândalos, terrores e guerras, culminando em mais de um quarto de milhão de pessoas mortas na Revolução e, em seguida outros dois a quatro milhões pereceram nas guerras revolucionárias e napoleônicas.


A Grande Guerra


Como vimos brevemente, não é de hoje que o mundo se depara com guerras e atrocidades. Mas o simples fato de você estar aqui lendo este artigo é motivo de sorrir, pois é sinal de que, enquanto humanidade, sobrevivemos.


E, sobrevivemos graças à Divina Providência. Sobrevivemos graças à força, coragem, honra e perseverança dos que viram o sentido da vida para além de si mesmo. Sobrevivemos graças aos que foram para a guerra e combateram com bravura em defesa da nossa liberdade. Sobrevivemos graças aos que ficara, mas cuidaram dos que estavam à sua volta. Sobrevivemos porque cada um se preocupou e entregou o seu máximo àquilo que estava sob o seu controle.


Pois na guerra, seja a bélica ou a da lida diária, o imperativo do dever se impõe a todos nós.


Você pode estar até se perguntando: “Mas e se houver uma Terceira Guerra Mundial? E se eu for convocado? E se o Putin X? E se o Zelenskyy fizer Y? E se... E se...”


A resposta é simples: Não permita que abstrações guiem sua vida. A história não é feita de “e se...” Foque-se em resolver os conflitos que estão sob o seu controle. Você não irá definir os rumos da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Então aja a partir daquilo que está à sua disposição.


Ore ao autor da vida. Sirva àqueles que precisam de você. Não adianta você querer salvar o mundo se aqueles que Deus te confiou estão desamparados. Pois a “Grande Guerra”, a mais urgente de todas, começa no seu coração.


Por Danilo Cavalcante

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