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A nova agenda da Unesco para a educação

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • 20 de dez. de 2021
  • 3 min de leitura

Documento exalta o feminismo e afirma que o apreço pelo rigor científico é etnocêntrico e precisa ser questionado.



Criada em 1945 para assegurar a proteção do patrimônio cultural da humanidade, a Unesco - oficialmente, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - tem adotado uma posição cada vez mais política e endossado uma agenda progressista nas escolas. E uma publicação lançada recentemente pelo órgão reforça essa tendência.


O documento "Reimaginando nosso futuro juntos” tem metas ambiciosas a serem alcançadas até 2050. A ideia é promover “mudanças radicais” no modelo da educação ao redor do globo. Nas palavras da Unesco, este é um “novo contrato social para a educação”.


O guia pouco fala da excelência no aprendizado. Em vez disso, critica o “patriarcado”, exalta o feminismo e afirma que o apreço pelo rigor científico é etnocêntrico e precisa ser questionado. O texto, de 184 páginas em sua versão em inglês, não é apenas uma longa carta de intenções sem efeitos práticos. Por meio de suas parcerias com organizações da sociedade civil mundo afora, a Unesco tem um grande poder de influência.


Desde 2015, a Unesco também é responsável pela elaboração e monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, também conhecidos como Agenda 2030.


Com a adoção dos parâmetros pela Unesco países e organizações parceiras terão de se adequar ao “novo contrato social”. “Nós precisamos de um novo contrato social para educação que possa reparar injustiças ao mesmo tempo em que transforma o futuro”, diz a introdução do documento.


A publicação da Unesco incorpora boa parte do vocabulário da esquerda contemporânea, como o termo “descolonizar” (remover a suposta carga cultural dos países colonizadores) e patriarcado (a noção de que as estruturas da sociedade são inerentemente machistas). O objetivo da entidade é levar esses temas à sala de aula.


Veja uma lista com dez das passagens problemáticas do documento.


1) Ideologia de gênero:

“A pedagogia da solidariedade precisa ser fundada em uma educação que é inclusiva e intercultural - que considere todas as formas de discriminação e segregação (...), incluindo (....) a identidade de gênero”.


2) Patriarcado

“Os efeitos generalizados do patriarcado - o sistema ideológico pelo qual os homens recebem a maioria dos direitos sociais e do poder - continua a informar mensagens e padrões de pensamento que são transmitidos às crianças e jovens na sociedade e nas escolas. Os papéis opressivos de gênero e discriminação de gênero são prejudiciais a todos na sociedade ”


3) Aprender a desaprender

“No entanto, menos atenção é dada ao silenciamento e exclusão de memórias coletivas, aspirações, tradições culturais e conhecimentos indígenas na educação e nos bens comuns de conhecimento. Aprender a examinar criticamente o conhecimento dominante estabelecido é fundamental para uma pedagogia da solidariedade. Devemos aprender a desaprender.”


4) Feminismo

“Podemos reimaginar currículos para incluir conversas intergeracionais sobre práticas de conhecimento que são relevantes para a vida no planeta, como aquelas que ocorrem em vários movimentos liderados por jovens e comunidades. Os currículos devem permitir reaprender sobre como estamos interconectados com um planeta vivo danificado. Perspectivas feministas e vozes indígenas têm muito a contribuir para navegar neste momento crucial”.


5) Racismo no currículo

“Os currículos devem abordar o racismo e buscar desafiar as representações e narrativas estereotipadas e discriminatórias sobre grupos de diversas origens culturais e linguísticas que coexistem em nossas sociedades, como povos indígenas, comunidades afrodescendentes e minorias étnicas.”


6) Ciência etnocêntrica

“Os métodos das ciências naturais e conceitos de pesquisa social, como ‘rigor’, ‘confiabilidade’ e ‘validade’ não são culturalmente neutros. Os processos sociais, a garantia de qualidade e o aspecto econômico da publicações científicas não recompensam a diversidade intercultural e epistêmica. Conhecimentos indígenas (...) geralmente têm sido considerados um objeto de pesquisa em vez de uma forma de pesquisa.”


7) Mudanças Climáticas

“A crise ecológica exige currículos que reorientem fundamentalmente o lugar do ser humano no mundo. Uma educação efetiva e relevante sobre mudanças climáticas deve ser priorizada. Em todo o currículo, devemos ensinar a arte de viver com respeito e responsabilidade em um planeta que foi danificado pela atividade humana.”


8) Transformação social

“Em um novo contrato social para a educação, o professor deve estar no centro e sua profissão reavaliada e reimaginada como um esforço colaborativo que desperta novos conhecimentos para a transformação educacional e social.”


9) Mudança radical

“O avanço para as múltiplas crises sobrepostas que ameaçam a sobrevivência da humanidade e do planeta vivo exige uma mudança radical de rumo. Devemos construir juntos com urgência um novo contrato social para a educação.”


10) Descolonização

“Pesquisadores, universidades e instituições de pesquisa devem examinar pressupostos metodológicos e abordagens que sejam descolonizantes, democráticas e facilitem o exercício e a promoção dos direitos humanos.”

Por Gabriel de Arruda Castro

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