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Araxá quer respostas, não promessas

Foto do escritor: Gi Palermi
Gi Palermi
há 7 dias
4 min de leitura

Na sessão de quarta-feira, vereadores cobraram explicações sobre saúde, asfalto, educação e a aplicação dos recursos públicos em Araxá.


A reunião ordinária da Câmara Municipal de Araxá, realizada excepcionalmente na quarta-feira (14.out.2026), por causa do feriado de Nossa Senhora Aparecida, trouxe à tona problemas que a população conhece bem. Buracos nas ruas, dificuldades na saúde, insegurança nas estradas e dúvidas sobre o destino do dinheiro público.


A administração Robson Magela e Bosco Júnior anuncia projetos, investimentos e melhorias. Mas os requerimentos apresentados mostram que ainda existem muitas perguntas esperando respostas. E algumas dizem respeito a milhões de reais.


Proteção Animal


A vereadora Fernanda Castelha (PDT) abriu sua participação propondo aumentar de R$ 100 para R$ 1 mil a multa para proprietários que deixam animais soltos nas ruas. A penalidade passaria a valer desde a primeira infração e dobraria a cada reincidência.


A vereadora também cobrou o cumprimento da legislação municipal sobre a destinação de animais mortos. Segundo ela, apesar de o Código de Posturas prever cremação ou enterramento, a própria Prefeitura orienta o encaminhamento ao aterro sanitário.


Fernanda pediu a contratação de uma empresa especializada para realizar a cremação, incluindo animais do Canil Municipal e aqueles sob responsabilidade de protetores e famílias de baixa renda.


Também solicitou vagas reservadas para gestantes, idosos e pessoas com deficiência nas proximidades da Unicentro, além da instalação de bicicletários no Centro.


Dinheiro Público


O vereador Roberto do Sindicato (Mobiliza) apresentou três emendas ao projeto de orçamento municipal para 2027. O objetivo declarado é preservar o poder de fiscalização da Câmara.


Uma das propostas estabelece em 10% do orçamento o limite para abertura de créditos suplementares. Outra pretende impedir determinadas alterações orçamentárias por decreto. A terceira propõe retirar um dispositivo que, segundo o vereador, comprometeria a participação do Legislativo na autorização de operações de crédito.


Em linguagem simples, a discussão é sobre até onde o prefeito pode alterar o orçamento sem voltar à Câmara para pedir autorização.


É uma questão que merece atenção. Afinal, o orçamento é aprovado pelos vereadores justamente para definir como o dinheiro público será utilizado. Autorizações excessivamente amplas podem enfraquecer o acompanhamento dessas despesas.


Roberto também pediu esclarecimentos sobre a disponibilidade de soros contra picadas de serpentes nas unidades de saúde.


Na estrada do Mourão Rachado, cobrou a recuperação de uma ponte estreita, instalação de proteção lateral, iluminação, sinalização e redutores de velocidade. Segundo o parlamentar, a passagem de veículos pesados e as condições da via exigem providências para prevenir acidentes.


Bairros Esquecidos


Chicão Jesus Te Ama (PSD) apresentou um projeto para combater o desperdício de alimentos e incentivar doações voluntárias. A proposta também cria um selo municipal para reconhecer estabelecimentos e entidades que participarem da iniciativa.


Mas foi outro requerimento que expôs uma questão importante para a administração municipal.


O vereador pediu um levantamento completo dos serviços pendentes nos bairros. Quer saber quantas solicitações de tapa-buracos, limpeza, capina, iluminação e manutenção ainda aguardam atendimento.


Também cobrou prazos, números dos serviços realizados nos últimos 12 meses e um cronograma para resolver as demandas acumuladas.


É o tipo de informação que deveria estar facilmente disponível para qualquer cidadão.


A população não deveria precisar esperar que um vereador apresente requerimento para descobrir quando sua rua será recuperada ou quando um problema de infraestrutura será resolvido.


Chicão também propôs ações educativas sobre prevenção de acidentes nas escolas e maior integração entre os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e as unidades básicas de saúde.


Saúde Inquietante


Professor Jales (PT) levou à tribuna questionamentos sobre o funcionamento da rede municipal de urgência e emergência.


Um dos requerimentos cobra informações sobre a visita técnica realizada pelo Ministério da Saúde à UPA em 29 de setembro. O vereador quer conhecer o relatório, as possíveis exigências pendentes e a previsão de conclusão do credenciamento federal.


Outro pedido trata de informações que circulam sobre um possível fechamento ou reestruturação dos AMEs Uninorte e Unileste.


Não existe, nos documentos apresentados, confirmação de que as unidades serão fechadas. Justamente por isso, Jales pediu uma resposta oficial da Prefeitura.


Se houver qualquer proposta de mudança, a população precisa conhecer os estudos, os custos e as alternativas de atendimento. A saúde pública não pode ser reorganizada sem que as consequências para os pacientes sejam devidamente avaliadas.


O parlamentar também voltou a cobrar concurso público para profissionais da Educação Especial, informações sobre contratos temporários e uma audiência pública para discutir as condições de trabalho desses servidores.


Na educação rural, pediu que a Prefeitura considere as reivindicações apresentadas na audiência pública sobre as salas multisseriadas.


Também solicitou providências para as famílias do Loteamento Esperança, que, segundo o requerimento, enfrentam dificuldades de abastecimento de água e problemas de regularização dos terrenos.


Papel e Realidade


Na Ordem do Dia, a Câmara aprovou dois projetos do Executivo. O Projeto de Lei nº 223 de 2026 autoriza a abertura de crédito especial no Fundo Municipal de Assistência Social. O Projeto de Lei nº 225 de 2026 trata da Política Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional.


O conjunto dos documentos revela uma situação que merece reflexão.


De um lado, projetos, pedidos de informações e propostas de melhorias. Do outro, moradores que continuam cobrando serviços básicos e explicações sobre a aplicação dos recursos públicos.


Araxá não precisa apenas de mais anúncios. Precisa de planejamento, transparência e resultados que possam ser conferidos.


Porque uma cidade não é administrada pelas promessas que aparecem nas apresentações oficiais, mas pelos serviços que chegam à população.


E dinheiro público exige algo que nenhum discurso pode substituir: prestação de contas.

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