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Crise vira paralisação em Araxá

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Após meses de atrasos e novos prazos sem solução, médicos da Casa do Caminho suspendem atendimentos eletivos. Urgências e emergências continuam assistidas.


A ameaça virou realidade. A partir desta terça-feira (25.ago.2026), o Corpo Clínico do Hospital Casa do Caminho iniciou a paralisação dos atendimentos eletivos e das novas admissões consideradas não urgentes. O motivo é o mesmo que Araxá acompanha há meses: os salários atrasados.


Urgências e emergências continuam sendo atendidas. Pacientes que já estão internados permanecem assistidos. Já novas admissões eletivas e não urgentes serão suspensas e encaminhadas para a Central de Regulação.


Segundo o comunicado divulgado pelos médicos, a medida foi tomada depois de “inúmeras tentativas de diálogo”, sem solução e sem previsão concreta para regularização dos pagamentos. O Corpo Clínico informa ainda que a paralisação foi comunicada à direção do hospital, Secretaria Municipal de Saúde, Ministério Público e Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais.


Não foi falta de aviso.


Em 14 de agosto, os médicos já haviam divulgado uma nota formal. Informaram que o pagamento pelo trabalho realizado em junho deveria ter ocorrido em 31 de julho e continuava pendente. Deram prazo e alertaram que os atendimentos eletivos poderiam ser interrompidos. A paralisação não começou imediatamente. Os profissionais ainda esperaram. Nesta terça-feira, chegaram ao limite.


Crise antiga


Essa história não começou em agosto. Em março, o Corpo Clínico já denunciava atraso e instabilidade nos pagamentos. Havia médicos recorrendo a empréstimos e cheque especial. Em maio, novo documento apontou atrasos, problemas administrativos e até falta de insumos básicos no hospital.


Em abril, uma audiência pública na Câmara expôs o drama dos trabalhadores da Santa Casa e do Casa do Caminho. Funcionários relataram salários pagos dois ou três meses depois, empréstimos para pagar aluguel, cartões atrasados e juros acumulados.


Agora, relatos expõem que o problema já atravessou a porta do hospital e entrou dentro das casas.


Famílias de médicos estão recorrendo a parentes e amigos para conseguir pagar despesas básicas. Há prestações atrasadas, cartões acumulando juros e dívidas crescendo mês após mês. Algumas famílias procuram formas extras de renda até para colocar comida dentro de casa. Há também relatos de forte desgaste emocional provocado pela insegurança de trabalhar sem saber quando o dinheiro pelo serviço já prestado será recebido.


Não é luxo. Não é médico reclamando porque quer ganhar mais. É gente que trabalhou, cumpriu plantão, cuidou de pacientes e simplesmente quer receber.


Quem responde?


A Santa Casa assumiu a gestão e a continuidade dos serviços do Casa do Caminho após acordo firmado com o Ministério Público de Minas Gerais. O acordo também estabeleceu compromissos do Município e do Estado para buscar equilíbrio financeiro e garantir a continuidade da assistência.


E a crise dos repasses já chegou à Justiça. Em dezembro de 2025, o próprio MPMG informou ter pedido a execução judicial de acordo firmado com o Município, Estado e hospitais. Segundo o Ministério Público, havia atraso significativo em repasses e descumprimento de obrigações importantes para manter os serviços funcionando.


A administração Robson Magela e Bosco Junior, por outro lado, apresentou em julho sua explicação. Disse que um repasse de aproximadamente R$ 1,4 milhão referente aos serviços médicos dependia da análise da prestação de contas apresentada pelos hospitais e que existe um rito legal antes da liberação do dinheiro público.


A população não precisa de uma guerra de versões. Precisa saber onde o problema está e quem vai resolvê-lo.


Porque burocracia não paga prestação. Prestação de contas não paga juros do cartão. Nota oficial não coloca comida na mesa.


E paciente também não pode continuar pagando a conta de uma crise que se arrasta sem solução.


Quando médico ameaça parar uma vez, existe um problema. Quando as ameaças se repetem durante meses e finalmente viram paralisação, já não existe espaço para chamar isso de imprevisto.


Existe uma crise. E ela está atingindo quem trabalha e quem precisa de atendimento.

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