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Médicos ameaçam suspender atendimentos

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • 17 de ago.
  • 3 min de leitura

Corpo Clínico da Casa do Caminho dá prazo para pagamento de salários atrasados e anuncia parar atendimentos eletivos a partir de 20 de agosto


A saúde de Araxá está, mais uma vez, diante de uma ameaça de paralisação. O Corpo Clínico do Hospital Casa do Caminho divulgou na sexta-feira (14.ago.2026) uma nota oficial informando que poderá suspender os atendimentos médicos eletivos a partir do próximo dia 20 caso os honorários atrasados não sejam pagos.


Não é uma ameaça feita de uma hora para outra. Segundo o documento, os médicos comunicaram formalmente a inadimplência à Diretoria Técnica e à Diretoria Clínica no dia 5 de agosto. Na ocasião, deram prazo de 15 dias para que os pagamentos fossem regularizados. O prazo está acabando. E o dinheiro, segundo os profissionais, ainda não chegou.


Pelo contrato, o pagamento deve ser feito no último dia do mês seguinte ao serviço prestado. Isso significa que o trabalho realizado em junho deveria ter sido pago até 31 de julho. Nesta segunda-feira, 17 de agosto, continua atrasado.


E existe outro problema logo à frente. O pagamento referente a julho vence em 31 de agosto. O Corpo Clínico já avisou que, mesmo que junho seja quitado, se julho também atrasar haverá nova paralisação a partir de 1º de setembro.


É o retrato de uma crise que deixou de ser exceção e virou rotina.


A suspensão, caso aconteça, não inclui urgência e emergência. Pacientes já internados continuarão sendo atendidos até a alta. As escalas médicas serão mantidas e as admissões em UTI continuarão normalmente. Porém, novas internações em clínica médica, longa permanência e outros atendimentos eletivos poderão ser suspensos.


A nota traz ainda outro alerta grave: a enfermagem também estaria com pagamentos atrasados. E hospital algum funciona apenas com médicos. Sem enfermagem, não existe assistência completa.


Filme repetido


A atual crise não nasceu agora. Em março de 2025, a própria Câmara Municipal aprovou requerimento cobrando explicações sobre os “constantes atrasos” nos pagamentos de médicos e demais funcionários da Santa Casa e da Casa do Caminho.


Desde então, o problema apareceu várias vezes. Em março de 2025, médicos chegaram a anunciar paralisação parcial após dois meses sem receber. Em junho daquele mesmo ano, voltaram a denunciar salários atrasados. Já em 2026, o Casa do Caminho voltou a registrar atrasos referentes a diferentes meses, além de problemas com insumos e prestação de contas.


Em abril deste ano, a situação chegou a uma audiência pública na Câmara. Funcionários relataram atraso de salários, dívidas e necessidade de recorrer a empréstimos para pagar as próprias contas. A Câmara registrou oficialmente que os atrasos nos repasses poderiam comprometer salários, medicamentos, insumos e a própria continuidade dos serviços.


Gestão unificada


Também é importante entender por que a nota do Casa do Caminho fala em contrato com a Santa Casa de Misericórdia de Araxá.


Após uma intervenção judicial no Hospital Casa do Caminho, um acordo firmado com participação do Ministério Público de Minas Gerais determinou a união das gestões. A Santa Casa de Misericórdia de Araxá passou a assumir a administração e a continuidade dos serviços do Casa do Caminho.


Portanto, não são hoje duas crises completamente separadas. O problema financeiro de uma instituição inevitavelmente bate à porta da outra.


Em julho, quando médicos dos dois hospitais voltaram a reclamar de atraso, a administração Robson Magela e Bosco Junior apresentou sua versão. Informou que aproximadamente R$ 1,4 milhão referentes a serviços médicos ainda estavam em análise porque a prestação de contas da parcela anterior só havia sido concluída pelos hospitais em 2 de julho. Segundo o Município, a legislação impede novo repasse antes da conferência dessa documentação.


Isso mostra que existe uma discussão sobre onde começa a responsabilidade pelo atraso: se nos repasses públicos, na prestação de contas, na administração hospitalar ou em uma combinação de tudo isso.


Mas existe uma pergunta muito mais simples que continua sem resposta.


Até quando médicos, enfermeiros e funcionários terão que trabalhar primeiro e descobrir depois quando vão receber?


A população não precisa assistir à troca de acusações entre hospital e poder público. Precisa de atendimento. O profissional não precisa de promessa. Precisa receber pelo trabalho que já fez.


Quando uma ameaça de paralisação acontece uma vez, existe uma crise. Quando acontece repetidamente, durante meses e anos, já não basta falar em imprevisto.


Existe um problema de gestão que precisa ser resolvido antes que a conta final seja paga por quem menos tem culpa: o paciente.

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