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Escolas registram aumento de violência no pós-pandemia

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • 11 de abr. de 2022
  • 3 min de leitura

Desacostumados do convívio com os colegas, a agressividade, a hostilidade e a falta de tolerância têm sido a tônica verificada por professores e diretores.


Nas últimas semanas ao menos três episódios de violência e agressão em escolas foi registrado pela Polícia Militar nas regiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Os casos, dois em Uberaba e um em Ituiutaba, revelam que a agressividade, a hostilidade e a falta de tolerância têm sido a tônica nas escolas no pós-pandemia, com a retomada das aulas presenciais.


Em Uberaba, um estudante de 15 anos, armado com uma faca, ameaçou outros alunos no dia 7 de março na Escola Estadual Minas Gerais, no Bairro São Benedito. O motivo da discussão não foi informado e Ninguém ficou ferido.


De acordo com informações da Polícia Militar (PM), o aluno teria pegado a faca na cantina da escola. Em seguida, ele se dirigiu a uma sala de aula e passou a ameaçar outros colegas. Pouco depois, os militares chegaram ao local. Eles conversaram com o aluno, que estava visivelmente nervoso, e conseguiram convencê-lo a entregar a arma. O adolescente foi levado embora pelos responsáveis.


Também em Uberaba, uma estudante de 11 anos foi agredida com um canivete por um colega de sala, também de 11 anos. O caso ocorreu na Escola Sesi "Alberto Martins Fontoura Borges'', que fica Bairro Frei Eugênio, no dia 6 de abril. Segundo o boletim de ocorrência, o aluno que desferiu os golpes afirmou que sofria bullying.


Segundo a assessoria de imprensa do colégio, que faz parte do sistema Fiemg, a agressão ocorreu no horário do intervalo. A menina teve ferimentos leves. As famílias foram chamadas e ambos estão sendo acompanhados.


Já em Ituiutaba, uma adolescente de 17 anos foi esfaqueada por um colega durante a aula na Escola Estadual Antônio Souza Martins – o Polivalente, em Ituiutaba. O autor, também de 17 anos, foi apreendido pela PM. O caso ocorreu na manhã do dia 7 de abril.


Segundo a PM, por volta das 7h20, a vítima foi atingida por 5 golpes de faca nas costas, pescoço e braço. Ela foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada para o Pronto Socorro Municipal, mas precisou ser transferida para o Hospital São José (HSJ) para passar por cirurgia.


Violências


A suspensão de aulas presenciais em escala mundial é algo inédito e, por isso, com consequências que ainda não são totalmente conhecidas. O retorno dá a sensação de que o dano ao aprendizado, à socialização e até mesmo à má alimentação começa a ser reparado e que estamos próximos de uma vida normal. Contudo, não é o que tem-se constatado.


Desacostumados do convívio com os colegas, a agressividade, a hostilidade e a falta de tolerância têm sido a tônica verificada por professores e diretores nas escolas. O aumento de todos os tipos de violências tem sido observados, desde as “duras” (agressões físicas, ameaças e agressões com armas, por exemplo), as microviolências (aquele mau comportamento, a indisciplina e o bullying, tão comuns em escolas) e as violências institucionais (provocadas, principalmente, pelas desigualdades de fundo estrutural).


Um problema sem distinção que tem afetado tanto a rede pública quanto a particular de ensino revelando alunos mais vulneráveis e menos tolerantes.


Números de ocorrências


Em 2021, ano de retorno gradativo às atividades presenciais, houve 88 casos de lesão corporal e outros 128 de agressão em escolas. Em 2020, foram feitos 95 registros do primeiro crime e 164 do segundo, conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública.


Em 2022, com a volta total das atividades – exceto na rede do Estado, cujo ano letivo começa hoje (11 de abril) por conta de greve –, houve 68 ocorrências de lesão corporal e outras 82 de agressões. Os dados são próximos aos do último ano antes da pandemia. 2019: 72 registros de lesão corporal e 113 de agressões.


Desafio


Se a alta dose de informações negativas, a insegurança e o medo têm sido fatores de desgaste da saúde mental de adultos e idosos, não seria esperado que as crianças e adolescentes estivessem alheios aos mesmos estímulos. A pandemia também foi intensa para eles.


Pesquisas nacionais e internacionais têm apontado o modo como o desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens pode ter sido afetado por tantos meses em casa, sem contato com a escola, com os colegas e família extensa.


São muitos os sentimentos sobre as perdas vividas. Uma rotina inteira desenvolvida por meio de telas como um hábito a ser superado. Talvez até uma certa falta de habilidade para os contatos face-a-face. Fato é que, além do desenvolvimento das competências cognitivas, a política de educação (em todos os níveis) precisará cuidar da saúde mental dos seus estudantes.

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