top of page

O que não entra no discurso

Foto do escritor: Gi Palermi
Gi Palermi
há 4 dias
3 min de leitura

Apostando nas emendas trazidas para Araxá, gestão Robson Magela e Bosco Júnior quer reeleição de Mário Heringer e Bosco.


A administração Robson Magela e Bosco Júnior quer convencer o eleitor de Araxá a votar em Mário Heringer para deputado federal e João Bosco para deputado estadual. E a estratégia parece simples: mostrar emendas trazidas para a cidade, anunciar novos recursos, entregar obras... sempre repetindo quem “mandou o dinheiro”.


Nos bastidores, o clima seria de apreensão, denúncias anônimas de servidores dão conta que há coação para apoio explícito às campanhas de Mário Heringer e João Bosco. Segundo os relatos, servidores estariam sendo pressionados não só a comparecer a eventos de campanha, mas também a demonstrar apoio aos dois candidatos usando material eleitoral.


Os servidores não apresentaram provas. Por isso, é preciso deixar claro: são denúncias e, neste momento, devem ser tratadas como tal. Mas são relatos graves, principalmente porque partem de pessoas que dizem ter medo de se identificar e sofrer consequências dentro da Prefeitura.


Há ainda outro ponto que chama atenção. Robson Magela, que também mantém uma carreira como cantor, participa diretamente da mobilização política em torno de Heringer. O prefeito tem percorrido cidades do Estado para fazer shows e participar de eventos em um ônibus plotado com a imagem de Mário Heringer.


Emenda não é favor


Só que política não pode ser analisada apenas pelo tamanho do cheque que um deputado envia a um município. Emenda parlamentar não sai do bolso do deputado. É dinheiro que sai do bolso do trabalhador por meio de impostos e outros tributos. O parlamentar ajuda a definir onde será aplicado, e isso merece reconhecimento. Mas não transforma recurso público em favor pessoal nem cria dívida eleitoral.


Por isso, é preciso olhar também para aquilo que nunca aparece no palanque: como esses deputados votam quando estão longe de Araxá?


Votos registrados


Em agosto de 2022, quando a Câmara votou o texto que acabava com as saídas temporárias de presos, a chamada “saidinha”, Mário Heringer votou “não”. Isso mesmo. Mário Heringer votou contra o texto que acabava com as “saidinhas”. A Câmara aprovou a proposta por 311 votos a 98, e o registro oficial mostra o voto contrário do deputado.


João Bosco votou a favor do projeto do governo Romeu Zema que prorrogou até 2026 a cobrança adicional de dois pontos percentuais de ICMS sobre produtos e serviços classificados pela legislação como supérfluos. Entre os itens atingidos estão celulares e smartphones. Ou seja, se esses produtos ficaram mais caros se deve também ao voto favorável do deputado Bosco. O registro nominal da Assembleia confirma o voto.


Então, é importante parar para refletir. O voto de Heringer contra o fim das saidinhas e o voto de Bosco a favor da prorrogação desse adicional de imposto representam a sua vontade?


E existe outra questão que deveria entrar nessa discussão: há quanto tempo esses nomes vivem da política?


Longa carreira


A Câmara dos Deputados registra seis mandatos de Mário Heringer. Dois foram mandatos completos entre 2003 e 2011. Na legislatura seguinte, ele atuou como suplente durante períodos de 2013 e 2014. Depois, voltou a ocupar continuamente uma cadeira desde 2015. Seu atual mandato termina em 2027.


Bosco está em seu quarto mandato consecutivo como deputado estadual. Entrou na Assembleia em fevereiro de 2011 e está lá até hoje.


Portanto, o debate não precisa ser sobre negar os recursos que trouxeram para Araxá. Eles existem e devem ser registrados. A pergunta é outra. Depois de tantos anos ocupando cargos eletivos, ainda faz sentido avaliar esses políticos apenas pelas emendas que anunciam? Ou chegou a hora de discutir também renovação?


Democracia precisa de experiência. Mas precisa igualmente de oxigenação. Quando os mesmos nomes permanecem décadas dentro das estruturas partidárias, ocupando mandatos sucessivos, criando redes políticas e acumulando influência, é saudável perguntar se a representação política não começa a virar profissão.


E é justamente aí que entra o eleitor. Antes de olhar o asfalto novo e perguntar quem mandou a verba, talvez seja mais importante olhar o painel de votação e perguntar: quando chegou a hora de decidir sobre impostos, segurança, privilégios e outras questões que mexem diretamente com a vida da população, como esse deputado votou?


Porque emenda passa. Obra termina.


Mas o voto dado em Brasília ou Belo Horizonte tem consequência direta na vida da sua família e da minha. E esse histórico não deveria ser escondido atrás de uma placa de inauguração.

Posts Relacionados

Ver tudo

Comentários


Mais recentes

Arquivo

bottom of page