PL patina para o Senado em Minas
- Gi Palermi
- 28 de abr.
- 5 min de leitura
Pesquisa mostra esquerda à frente no Senado, centro competitivo e alerta para o PL: partido ainda não emplaca nome conservador forte em Minas.
A direita tem força em Minas, mas essa força não está concentrada no PL para o Senado. Isso é o que revela a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira (28.abr.2026).
Minas Gerais mostra, na disputa pelo Governo de Minas, uma clara força do eleitorado de direita. Cleitinho lidera todos os cenários em que aparece. Ele não é do PL e sim do Republicanos. Mas está posicionado no mesmo campo político da direita, com discurso popular, conservador e crítico ao sistema.
O problema é que essa força da direita para o governo não aparece com a mesma clareza na disputa pelo Senado. E isso é grave.
Minas vai eleger dois senadores em 2026. O Senado é a Casa que aprova indicações para o Supremo Tribunal Federal. Também é a Casa que pode abrir processo de impeachment contra ministros do STF. Por isso, a eleição para senador deixou de ser uma disputa secundária. Ela virou uma das eleições mais importantes do país.
A esquerda na frente
Na pesquisa para o Senado, Marília Campos, do PT, aparece em primeiro lugar nos três cenários testados.
No primeiro cenário, ela tem 19%. Depois vêm Aécio Neves, com 11%; Carlos Viana, com 10%; Marcelo Aro, com 9%; Domingos Sávio, do PL, com 8%; e Áurea Carolina, do PSOL, com 6%. Brancos e nulos somam 20%. Indecisos são 13%.
No segundo cenário, Marília Campos repete 19%. Aécio Neves tem 11%. Carlos Viana aparece com 10%. Domingos Sávio fica de novo com 8%. Áurea Carolina tem 6%. Euclydes Pettersen aparece com 5%.
No terceiro cenário, Marília Campos aparece com 17%. Carlos Viana sobe para 15%. Domingos Sávio continua com 8%. Áurea Carolina marca 6%. Vanessa Portugal tem 5%. Marcelo Aro aparece com 4%.
O recado é claro: a esquerda está organizada para uma das vagas. O centro está competitivo para a outra. E o PL, mesmo sendo o maior partido conservador do Brasil, ainda não conseguiu transformar sua força nacional em liderança real no Senado por Minas.
O problema do PL
Domingos Sávio pontua na pesquisa. Ele aparece com 8% nos três cenários. Mas a crítica política continua válida. Para quem pretende ser o nome do partido do Bolsonaro ao Senado em Minas, 8% é pouco. Muito pouco.
Ainda mais em um Estado onde a direita aparece forte na disputa pelo governo. Se há eleitor de direita em Minas, por que o nome trabalhado pelo PL para o Senado não decola?
Essa é a pergunta central.
Domingos Sávio é deputado federal. Comanda o PL em Minas. Tem estrutura partidária. Tem acesso à máquina interna da legenda. Mesmo assim, aparece atrás de Marília Campos, atrás de Carlos Viana e, em alguns cenários, também atrás de Aécio Neves e Marcelo Aro.
O levantamento de conhecimento ajuda a explicar o problema. Segundo a pesquisa, 78% dos eleitores dizem não conhecer Domingos Sávio. Apenas 12% afirmam que o conhecem e poderiam votar nele. Outros 10% dizem que o conhecem, mas não votariam.
Ou seja: o nome que o PL empurra à força como solução ainda não chegou ao eleitor comum.
Direita sem representatividade
A pesquisa mostra uma coisa curiosa. A direita existe em Minas. Ela aparece no desempenho de Cleitinho para o governo. Aparece na rejeição à esquerda no Executivo estadual. Aparece no sentimento de cobrança contra o sistema político tradicional.
Mas, na disputa pelo Senado, essa direita está sem um nome com o qual se identifique. O eleitor não se viu representado pelos nomes que tem sido empurrados.
Carlos Viana se posiciona no espectro à direita. Mas pontua em terceiro lugar. E Carlos Viana está no PSD.
O PL de Minas tem um nome oficial na mesa, mas esse nome não lidera, não empolga e não ocupa o espaço conservador com força. Enquanto isso, outros nomes do centro e da esquerda avançam.
A escolha das raposas
A crise do PL mineiro parece ser uma crise de comando. O partido que deveria abrir espaço para uma candidatura conservadora forte preferiu o caminho das composições internas. Preferiu o cálculo das raposas partidárias. Preferiu o nome mais confortável para a direção.
Mas eleição não se resolve em gabinete.
O eleitor conservador quer alguém que fale a sua língua. Quer alguém que enfrente. Quer alguém que tenha coragem pública. Quer alguém que represente a base, não o comando do partido.
Por isso a escolha de Domingos Sávio gera resistência em parte da direita mineira. Ele tem um perfil da velha política. Já passou por campos políticos de centro e centro-esquerda. Tem histórico de alianças com grupos que não representam a direita nem o bolsonarismo. E, para muitos eleitores conservadores, não simboliza renovação nem enfrentamento.
Essa é a diferença entre ocupar uma legenda e representar uma causa.
Caporezzo e Marco Antônio Costa
A insatisfação cresce porque havia outros nomes com identidade mais clara com a direita combativa.
Cristiano Caporezzo, deputado estadual, era visto por parte da base bolsonarista como uma opção mais alinhada ao eleitor conservador. A imprensa chegou a registrar que ele saiu de encontro com Jair Bolsonaro com aval para disputar o Senado por Minas.
Também houve o caso de Marco Antônio Costa, advogado, ativista político e influenciador. Ele ganhou visibilidade ao puxar mobilizações como o “Fora Moraes”, em um período em que muita gente tinha medo de ir às ruas após o 8 de janeiro de 2023. Depois de encontrar resistência no PL, acabou se filiando ao Novo para disputar espaço político em Minas.
Esses movimentos mostram que o problema não é falta de eleitor conservador. Também não é falta de nomes com discurso de direita. O problema parece ser outro: vaidade, controle interno e medo de perder comando.
O risco para Minas
O quadro é perigoso para a direita.
Marília Campos, do PT, lidera. Carlos Viana aparece competitivo. Aécio Neves ainda pontua pela força do nome, apesar da alta rejeição. Marcelo Aro também aparece no jogo. E Domingos Sávio, nome do PL, fica parado em 8%.
Aécio, por exemplo, tem rejeição altíssima: 51% dizem que o conhecem e não votariam nele. Mesmo assim, aparece com 11% nos dois primeiros cenários. Isso mostra como conhecimento pesa. Já Domingos Sávio tem rejeição menor, de 10%, mas é desconhecido por 78% dos eleitores.
Na prática, Aécio é rejeitado, mas conhecido. Domingos é menos rejeitado, mas invisível.
E invisibilidade também mata candidatura.
O recado da pesquisa
A Genial/Quaest não define a eleição. Pesquisa é fotografia do momento. Mas esta fotografia mostra um problema real.
Minas tem eleitor de direita. Minas mostra resistência à esquerda no governo. Minas tem espaço para eleger senador conservador.
Mas o PL mineiro ainda não conseguiu ocupar esse espaço.
Se o partido insistir em decisões tomadas de cima para baixo, sem ouvir a base e sem respeitar o sentimento do eleitor conservador, pode repetir um erro grave: ter o maior partido de direita do país e, mesmo assim, deixar o Senado escapar para o centro e para a esquerda.
O risco está posto.
Por orgulho, vaidade e controle das velhas raposas, Minas pode chegar a 2026 com a direita forte para o governo, mas dividida e fraca para o Senado.
E, nesse caso, quem agradece é a velha política.
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