Cleitinho lidera e expõe recado de Minas
- Gi Palermi
- há 5 dias
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Pesquisa mostra direita em larga vantagem, alta rejeição à esquerda e alerta para governador em exercício: Mateus Simões não herda votos de Romeu Zema.
Em Minas, pelo menos até aqui, ter cargo não basta. O eleitor quer reconhecer o rosto. Quer entender a mensagem. E quer sentir que aquele candidato fala a sua língua. Isso é o que mostra a pesquisa Genial/Quaest para o governo de Minas Gerais divulgada nesta terça-feira (28.abr.2026). Os dados vão além de simplesmente mostrar quem está na frente. Eles mostram o clima político do Estado. E o recado é forte.
Hoje, o eleitor mineiro está mais inclinado a um nome de direita, popular nas redes sociais e conhecido pelo cidadão comum do que a políticos tradicionais, nomes da esquerda ou candidatos ligados à máquina pública.
O principal sinal disso está no desempenho de Cleitinho. O senador do Republicanos lidera todos os cenários de primeiro turno em que aparece. No cenário mais amplo, ele tem 30%. Alexandre Kalil aparece com 14%. Rodrigo Pacheco tem 8%. Ben Mendes e Mateus Simões aparecem com 4% cada. Brancos e nulos somam 20%. Indecisos são 13%.
A diferença é grande. Cleitinho tem mais que o dobro de Kalil. Também aparece muito acima de Pacheco e de Mateus Simões.
Isso significa que Minas já decidiu a eleição? Não.
Pesquisa é fotografia do momento. Mas fotografia também revela ambiente. E, neste momento, o ambiente parece favorável a uma candidatura de direita com linguagem simples, direta e de forte presença popular.
Direita popular
Cleitinho cresce porque tem algo que muitos políticos não têm: identificação.
Ele fala de forma simples. Usa linguagem de rua. Aparece como alguém fora do modelo político tradicional. Para parte do eleitorado, isso pesa mais do que currículo, partido ou estrutura de campanha.
A pesquisa espontânea mostra que a eleição ainda está muito aberta. Quando o eleitor responde sem receber lista de nomes, 86% dizem que estão indecisos. Cleitinho aparece com 7%. Rodrigo Pacheco tem 3%. Mateus Simões tem 2%. Kalil aparece com 0%.
Esse dado mostra duas coisas ao mesmo tempo. A primeira: muita gente ainda não está pensando na eleição para governador. A segunda: mesmo nesse cenário frio, Cleitinho já é o nome mais lembrado.
Quando a lista de nomes é apresentada, ele dispara. Vai a 30%, 35% ou 37%, dependendo do cenário.
Isso indica que ele tem lembrança, tem simpatia e tem espaço para crescer entre eleitores que já sabem quem ele é.
Esquerda limitada
A pesquisa também mostra uma dificuldade clara da esquerda em Minas.
Alexandre Kalil é o nome mais competitivo no levantamento. Mesmo assim, fica distante de Cleitinho. No primeiro cenário, aparece com 14%, contra 30% do senador. No cenário sem Rodrigo Pacheco, Kalil chega a 16%, mas Cleitinho sobe para 37%.
Maria da Consolação, do PSOL, aparece com 3% ou 4% nos cenários testados. Outros nomes mais à esquerda ficam zerados ou muito baixos.
Isso permite uma leitura política: o eleitor mineiro ainda não demonstra entusiasmo por uma guinada à esquerda no governo estadual.
Não dá para afirmar que todo voto em Cleitinho seja voto contra o PT. Ele também atrai por estilo, comunicação e presença nas redes. Mas o conjunto da pesquisa mostra que nomes mais identificados com a esquerda não lideram o debate estadual.
Minas, ao menos neste retrato, segue mais receptiva a candidaturas de centro-direita e direita do que a uma volta da esquerda ao comando do Estado.
O caso Simões
O dado mais incômodo da pesquisa é o baixíssimo desempenho de Mateus Simões.
Simões não é um desconhecido dentro do poder. Ele foi eleito vice-governador ao lado de Romeu Zema em 2022. Antes disso, no mandato anterior, foi secretário-geral de Governo. Em 22 de março de 2026, assumiu o Governo de Minas após Zema deixar o cargo.
Ou seja: Simões está há anos no centro da administração estadual. Mesmo assim, aparece com apenas 4% no primeiro cenário estimulado. Em outro cenário, chega a 5%. Em um terceiro, cai para 3%.
Para um governador em exercício, é pouco.
A pesquisa de conhecimento explica parte do problema. Segundo a Quaest, 68% dos eleitores dizem não conhecer Mateus Simões. Apenas 12% afirmam que o conhecem e poderiam votar nele. Outros 20% dizem que o conhecem, mas não votariam.
Aqui existe uma diferença importante.
Simões não aparece como o mais rejeitado. A maior rejeição, entre os nomes ao governo, é de Alexandre Kalil, com 36%. Rodrigo Pacheco tem 28%. Cleitinho e Mateus Simões aparecem com 20% de eleitores que dizem conhecê-los, mas não votariam.
O problema de Simões, portanto, não é só rejeição. É invisibilidade.
Ele tem cargo. Tem governo. Tem estrutura. Tem ligação com Zema. Mas ainda não virou nome popular.
E eleição para governador exige mais do que estar sentado na cadeira. Exige rosto conhecido. Exige marca própria. Exige ligação emocional com o eleitor.
Zema não transfere voto
A pesquisa mostra outro alerta: a força de Zema não foi transferida automaticamente para seu sucessor.
Zema venceu duas eleições em Minas. Construiu uma marca de gestão. Deixou o governo para se dedicar à disputa nacional, antes do prazo de desincompatibilização, e passou o cargo a Mateus Simões. Mas o eleitor ainda não enxerga Simões como herdeiro natural desse capital político.
Isso pode ter explicação simples. Simões sempre teve perfil mais técnico e de bastidor. Foi articulador. Foi braço interno do governo. Mas não teve a mesma exposição pública de Zema. Também não tem a mesma comunicação popular de Cleitinho.
Na prática, Cleitinho tem menos máquina, mas tem mais conexão direta. Simões tem mais estrutura, mas menos identificação.
Esse contraste aparece com força no segundo turno testado pela Quaest. Cleitinho venceria Simões por 46% a 13%. Brancos, nulos ou quem diz que não vai votar somam 30%. Indecisos são 11%.
É uma distância muito grande.
Ela mostra que o eleitor que conhece Cleitinho tende a considerá-lo uma opção real. Já Simões ainda precisa convencer o eleitor de que é mais do que o vice que assumiu o governo.
Pacheco e Kalil
Rodrigo Pacheco também enfrenta dificuldade. No primeiro cenário, aparece com 8%. Sem Kalil, sobe para 11%. Sem Cleitinho, chega a 12%, em empate técnico com Kalil, que aparece com 18%, considerando a margem de erro de três pontos.
Pacheco tem nome nacional. Presidiu o Senado. Mas isso não se traduz, até agora, em força suficiente para liderar a disputa estadual.
Kalil, por sua vez, tem maior conhecimento em Belo Horizonte e já governou a capital. Mas também carrega rejeição alta. Segundo a pesquisa, 36% dizem que o conhecem, mas não votariam nele. Isso limita seu crescimento.
Em resumo: Pacheco tem visibilidade institucional. Kalil tem lembrança política. Simões tem a máquina estadual. Mas Cleitinho aparece com o ativo mais valioso neste momento: voto.
Recado das urnas antes das urnas
A pesquisa Genial/Quaest revela uma disputa ainda aberta, mas com um sinal claro.
O eleitor mineiro ainda está distante da eleição para governador. A espontânea, com 86% de indecisos, mostra isso. Mas, quando os nomes são apresentados, Cleitinho aparece como o nome mais forte.
O resultado também sugere que Minas continua resistente a projetos de esquerda. Mostra que a política tradicional não empolga. E expõe a dificuldade de Mateus Simões em transformar governo em voto.
O cenário ainda vai mudar. Alianças podem ser feitas. Candidaturas podem sair ou entrar. A campanha de TV ainda não começou. A máquina pública ainda pode pesar.
Mas o retrato de agora é este: a direita popular larga na frente. A esquerda não entusiasma. O centro político aparece dividido. E o governador em exercício ainda precisa se apresentar ao próprio eleitor mineiro.
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