Produção atolada: o preço do abandono das vias rurais
Não são apenas as ruas da zona urbana de Araxá que se transformam em um mar de buracos nesta época do ano. Na zona rural do município, a situação das estradas é ainda mais crítica, gerando prejuízos e frustrações aos moradores e produtores locais. Caminhoneiros, especialmente, enfrentam grandes dificuldades para escoar a produção agrícola, acumulando perdas que poderiam ter sido evitadas com ações preventivas.
No início da semana, entre segunda e terça, dias 16 e 17 de dezembro, as redes sociais foram inundadas por imagens que ilustram o descaso com as estradas intermunicipais. Caminhões atolados e tombados no trecho entre Araxá e o Distrito de São José da Antinha, em Perdizes, evidenciam o estado precário das vias. As fotos são impactantes: um caminhão tombado com a carga de laranjas espalhadas pelo mato. E outros dois atolados, um carregado com batatas, o outro com areia.
Esses problemas causam transtornos que vão além dos prejuízos financeiros. Os acidentes bloqueiam o trânsito, impedindo a passagem de veículos menores. Motoristas que utilizam o trecho entre Araxá e o Rio Tamanduá, na divisa com Perdizes, relatam que o lado de Araxá está intransitável. Para seguir viagem, muitos precisam escolher qual buraco enfrentar, arriscando danos aos veículos e a própria segurança.
O problema é agravado pela falta de ação da gestão pública. Há mais de um ano, a ponte sobre o Córrego Grande, na estrada da Fazenda da Iara, caiu e o acesso foi interditado. A prefeitura, sob a administração de Robson Magela, prometeu a reconstrução, mas 12 meses se passaram e a obra não foi concluída até agora. A reconstrução poderia ter sido realizada no período da seca, mas a falta de planejamento atrasou a solução. Agora, com as chuvas intensas, o cenário piora e os motoristas só têm como rota alternativa a estrada do Aterro Sanitário, que também está em péssimas condições.
A falta de planejamento impacta diretamente o escoamento da produção local, que inclui não apenas cargas de laranja, batatas e areia, como vistas nas fotos, mas também produtos perecíveis como leite e queijo. O aumento no tempo e no custo de transporte encarece os produtos, prejudicando tanto os produtores quanto os consumidores finais.
E a indignação cresce com o recesso do setor administrativo da Prefeitura de Araxá, que se iniciou em 11 de dezembro e só terá fim em 2 de janeiro. Durante esse período, produtores e moradores não têm a quem recorrer. Com as secretarias de Agricultura e Obras fechadas, não puderam sequer registrar suas demandas e cobrar soluções. A ausência de respostas e ações efetivas por parte da administração municipal reforça a sensação de abandono.
O que vemos é a falta de organização e compromisso da gestão pública, que não aproveitou períodos mais favoráveis, como a seca, para realizar obras essenciais. Enquanto isso, os problemas se acumulam, impactando a economia local e a qualidade de vida da população. Esses prejuízos poderiam ter sido evitados com planejamento e gestão mais responsável.
Comentários