top of page

Saúde de Araxá cobra respostas

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Relatórios mostram milhões na saúde, mas filas por leitos, SUS-Fácil, especialistas e exames ainda cobram resposta da gestão Robson-Bosco.


Quem acompanha as sessões da Câmara Municipal de Araxá sabe que, semana após semana, a área da saúde está no centro das cobranças. Vereadores da base e da oposição buscam respostas sobre vagas pelo SUS-Fácil, espera por internação, demora por consultas com especialistas, exames, cirurgias e falta de estrutura para atender a população.


Quando a cobrança vem de lados diferentes do plenário, o recado é simples. O problema não está apenas no discurso político. Está na vida real da população.


A reflexão parte de dados e questionamentos levantados pelo engenheiro e consultor Murilo Borges de Castro Alves. O ponto central é incômodo: Araxá discute há anos quanto gasta com saúde, mas ainda precisa provar o que esse dinheiro entrega ao paciente.


Dados de 2018, dois anos antes da eleição de Robson Magela para o primeiro mandato, mostravam que Araxá gastava R$ 940,05 por habitante na saúde. O valor era maior do que o registrado em cidades como Uberaba, Uberlândia, Salto, Arapongas, Brusque e Erechim. Entre os municípios comparados, Araxá ficava atrás apenas de Poços de Caldas.


Conta alta


Na prestação de contas do último quadrimestre de 2025, a Secretaria Municipal de Saúde informou que Araxá aplicou 26,78% da receita própria em saúde no ano passado. A lei exige o mínimo de 15%. Em valores, foram R$ 148,7 milhões. Segundo o relatório, isso representa R$ 65,4 milhões acima do mínimo constitucional. Em 2024, o índice havia sido de 22,93%.


No papel, é um número forte. Mas número forte precisa produzir resposta forte.


À primeira vista, gastar mais parece positivo. Uma cidade que gasta mais deveria entregar mais consultas, mais exames, mais prevenção, mais leitos e mais solução.


Mas é justamente aí que começa a pergunta incômoda.


Gastar mais não significa, sozinho, cuidar melhor. Dinheiro alto no relatório pode indicar investimento. Mas também pode esconder serviço mal organizado, fila represada, falta de controle, desperdício e resultado fraco.


Milhões recebidos


O próprio relatório da Saúde informou que Araxá recebeu R$ 21 milhões do Ministério da Saúde no quadrimestre. Desse total, mais de R$ 13 milhões foram para média e alta complexidade ambulatorial e hospitalar. Do Estado, entraram mais R$ 16,4 milhões, incluindo R$ 7,5 milhões para atenção hospitalar, urgência e emergência, R$ 1,1 milhão para atenção especializada ambulatorial e R$ 875 mil para abastecimento de medicamentos.


A pergunta, então, fica ainda mais séria.


Se há recurso para média e alta complexidade, por que a população continua reclamando de demora por vaga, leito e cirurgia? Se há recurso para atenção especializada, por que o paciente ainda espera tanto por especialista? Se há dinheiro para medicamentos, por que a farmácia municipal continua sendo alvo de queixas por falta de remédios?


O cidadão não sente a saúde pública pela planilha. Ele sente na fila. Sente quando espera por especialista. Sente quando não consegue exame. Sente quando precisa de leito. Sente quando depende do SUS-Fácil. Sente quando vai à UPA e encontra um sistema pressionado.


Fila real


Em abril, o vereador Rodrigo do Comercial Aeroporto cobrou explicações depois de relatos graves na UPA. Entre os dias 18 e 21 de abril, houve momentos em que mais de 30 pacientes aguardavam transferência para hospitais. Eram pessoas em macas, famílias sem resposta e profissionais tentando segurar uma estrutura pressionada.


Poucos dias depois, em 5 de maio, a saúde voltou a dominar a tribuna. Rodrigo pediu informações sobre cirurgias de prótese de quadril pelo SUS. João Paulo da Filomena cobrou respostas sobre demora no SUS-Fácil e cirurgias eletivas e de urgência. Marciony Sucesso defendeu a presença de cirurgião bucomaxilofacial na UPA. Maristela Dutra tratou da fibromialgia e pediu fiscalização sobre a alimentação de pacientes de Araxá atendidos em uma casa de apoio em Uberaba.


Isso mostra que uma discussão antiga continua atual. Talvez esteja ainda mais urgente.


A Secretaria pode apresentar slides, percentuais e valores. Mas a cidade precisa de algo além de relatório.


Precisa de respostas.


Qual fila diminuiu? Qual exame passou a sair mais rápido? Qual consulta especializada teve avanço? Quantos pacientes ainda aguardam vaga? Quantas cirurgias estão represadas? Quantas pessoas voltam ao atendimento porque o problema não foi resolvido antes?


Essas perguntas não são perseguição política. São obrigação pública.


Resposta humana


A saúde de Araxá também precisa ser analisada por outro ângulo: por que a população está adoecendo? Há mais casos ligados ao trânsito? Ao trabalho? À depressão? Ao uso de álcool e drogas? À violência doméstica? Ao saneamento? À falta de prevenção?


Sem esse diagnóstico, o município pode gastar muito e continuar correndo atrás do prejuízo.


O relatório também trouxe números importantes. Foram informadas 2.328 consultas de obstetrícia, 6.858 consultas de ginecologia, 2.603 coletas de citologia e 2.237 mamografias ao longo de 2025. Também foi registrado gasto superior a R$ 5,2 milhões com oxigenoterapia domiciliar e mais de 7.500 exames por mês no laboratório municipal, com média de 900 pacientes atendidos.


São dados relevantes. Mas quantidade não basta. Saúde pública precisa de acesso, continuidade e solução.


O dinheiro da saúde não pertence à administração Robson Magela e Bosco Júnior. Pertence ao cidadão que tem seu dinheiro suado retirado do bolso por meio de impostos. Pertence a quem trabalha e espera o mínimo: ser atendido com dignidade.


As cobranças feitas na Câmara mostram que Araxá ainda não venceu perguntas antigas. A cidade não precisa apenas saber quanto gastou. Precisa saber se esse gasto curou, preveniu, atendeu e resolveu.


Enquanto essa resposta não vier, a saúde de Araxá continuará presa no mesmo contraste: número alto no papel e cidadão inseguro na porta do atendimento.

Posts Relacionados

Ver tudo
Saúde volta ao centro da Câmara

Sem votação de projetos, sessão expôs filas, demora no SUS Fácil, cobranças por cirurgia e pediu mais especialistas na UPA.

 
 
 
Saúde de Araxá em fila de espera

Vereador denuncia mais de 30 pacientes à espera na UPA por vaga de internação e cobra explicações da administração Robson-Bosco.

 
 
 

Comentários


Mais recentes

Arquivo

bottom of page