Saúde volta ao centro da Câmara
Sem votação de projetos, sessão expôs filas, demora no SUS Fácil, cobranças por cirurgia, pediu mais especialistas na UPA. Também houve cobranças por segurança, escola e infraestrutura.
Gente esperando cirurgia. Família sem saber quando a vaga pelo SUS Fácil vai sair. Paciente de Araxá buscando atendimento fora da cidade. Dor que não entra em planilha. Angústia que não cabe em discurso. E uma pergunta que voltou à tribuna da Câmara: até quando a saúde pública vai continuar empurrando o sofrimento da população para depois?
A Câmara Municipal de Araxá realizou, nesta terça-feira (05.mai.2026) mais uma sessão ordinária. Não houve votação de nenhum projeto de lei. Mesmo assim, a reunião foi marcada por cobranças. E o assunto mais repetido pelos vereadores foi a saúde pública.
Rodrigo do Comercial Aeroporto pediu informações sobre cirurgias de prótese de quadril pelo SUS. Ele quer saber quantos pacientes estão na fila e como essa espera está sendo tratada. Atrás desse número existe gente com dor, dificuldade para andar, dependência da família e vida parada enquanto a cirurgia não chega.
João Paulo da Filomena também cobrou respostas sobre a demora na liberação de vagas pelo SUS Fácil e na realização de cirurgias eletivas e de urgência. Segundo ele, o problema já foi apontado antes e continua atingindo quem depende do sistema público de saúde.
Marciony Sucesso defendeu a presença de um cirurgião bucomaxilofacial na UPA. A proposta busca dar resposta mais rápida a pacientes com traumas no rosto e urgências odontológicas. Maristela Dutra apresentou projeto voltado às pessoas com fibromialgia e pediu fiscalização sobre a alimentação servida a pacientes de Araxá atendidos em casa de apoio em Uberaba.
Dinheiro público
A transparência também apareceu na sessão. Maristela pediu documentos e informações sobre o projeto que autoriza a administração municipal a buscar até R$ 50 milhões para obras de recapeamento e pavimentação.
Antes de uma dívida desse tamanho avançar, a população tem direito de saber quanto pode custar, quais ruas serão atendidas e quais compromissos ficarão para os próximos anos.
Cidade real
A infraestrutura voltou à tribuna pela voz de vários vereadores. Kaká da Mercearia pediu vistoria no Córrego da Galinha, no bairro Santa Rita, por possível descarte irregular de rejeitos. Também cobrou tapa-buracos, sinalização e limpeza urbana.
Rodrigo do Comercial Aeroporto pediu medidas contra uma erosão no bairro Tiradentes. Para quem não mora perto, pode parecer apenas mais um problema técnico. Para quem convive com o risco, é medo de acidente, prejuízo e abandono.
Investigador Rodrigo defendeu a implantação do Colégio Tiradentes em Araxá, apresentou o projeto “Alerta Infantojuvenil” e destacou melhorias na estrada do Córrego do Sal. Marciony também falou sobre segurança de entregadores, Olimpíada Municipal, capina, limpeza e iluminação pública. Maristela tratou de videomonitoramento, sinalização e segurança. Rodrigo do Comercial Aeroporto apresentou o programa “Araxá Turista”. João Paulo propôs estudo para isenção de IPTU a pessoas com doenças graves, além de medidas de mobilidade e segurança escolar. João Veras levou pedidos de assistência social, melhorias urbanas, homenagens e ações recentes do mandato.
A sessão terminou sem votação de projetos. Mas não terminou vazia. A tribuna mostrou a cidade real: paciente esperando, morador cobrando, bairro pedindo socorro e população querendo resposta. Quando a saúde aparece tantas vezes na mesma reunião, o sinal é claro. O problema não está isolado. Está espalhado pela vida de muita gente.
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