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Vereadores iniciam o ano com tensão

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • há 12 minutos
  • 2 min de leitura

Projetos sociais são aprovados em bloco e sessão marcada por corte de microfone gera questionamentos sobre postura no plenário.


A Câmara Municipal de Araxá realizou nesta terça-feira (10.fev.2026) a primeira reunião ordinária do ano com uso da tribuna. É aquele momento em que o Legislativo retoma oficialmente o ritmo normal dos trabalhos, com fala dos vereadores, apresentação de projetos e sinalizações políticas para 2026.


A condução da sessão ficou a cargo do vice-presidente da Mesa Diretora, vereador Jairinho Borges. A ausência do presidente Raphael Rios foi justificada logo na abertura da reunião.


Seguindo o revezamento semanal, usaram a tribuna João Veras, Rodrigo do Comercial Aeroporto, Marciony Sucesso, Maristela Dutra, Kaká da Mercearia, João Paulo da Filomena e Investigador Rodrigo. Cada um ocupou seu tempo para prestar contas, anunciar propostas e fazer cobranças.


Os temas foram variados. Iluminação pública, tapa-buracos, fiscalização de obras, saúde mental no serviço público, mobilidade urbana, segurança, cultura, educação e valorização dos servidores. Foi uma tarde de pautas amplas e muitas promessas de acompanhamento.


Na ordem do dia, os projetos aprovados trataram de termos de fomento e complementação de repasses a entidades sociais e comunitárias. Todos de autoria do Executivo. E todos votados em bloco.


Foram liberados R$ 198 mil para a Associação Capela Mártir Filomena adquirir veículo. R$ 20 mil para placas solares nas Obras Sociais Eurípedes Barsanulfo. R$ 33 mil para melhorias na Obras Sociais Auta de Souza. R$ 20 mil para a Associação Pai Francisco. Mais de R$ 209 mil para o CONSEP no projeto de ressocialização de detentos. E R$ 49.850 para a Assepa realizar benfeitorias. Além disso, houve complementação de repasse ao CONSEP.


São recursos públicos destinados a entidades que atuam em áreas sensíveis. Social, educacional, segurança. É dinheiro que precisa ser fiscalizado com responsabilidade. Justamente por isso, votar tudo em bloco agiliza o rito, mas também encurta o debate individual de cada matéria. E o papel do vereador não é apenas votar. É discutir.


Mas a discussão parece não agradar a todos. Antes da votação, a sessão teve um momento de tensão. Durante discussão, o vereador Roberto do Sindicato abordou ponto que, segundo a presidência dos trabalhos, não estava diretamente ligado aos projetos em pauta. O vereador Jairinho Borges demonstrou irritação, alegou fuga do tema e determinou o corte do microfone, cassando a palavra do colega.


O regimento interno permite que a Presidência intervenha quando o parlamentar se afasta do assunto. Isso é regra. Isso é procedimento. Mas regra também pode ser aplicada com equilíbrio.


Há diferença entre corrigir e constranger. Entre organizar o debate e criar um clima de hostilidade. Desligar o microfone de forma brusca não é o único caminho possível. Um alerta formal, uma orientação objetiva e educada cumpririam a mesma função institucional, sem desgaste desnecessário.


O episódio não apaga os projetos aprovados. Mas revela algo importante: o tom do ano legislativo começa a se desenhar.


A Câmara é espaço de confronto de ideias. É natural que haja divergências. O que não pode se tornar natural é a impaciência como método.


O ano começa com recursos liberados, discursos feitos e uma pequena tensão registrada. Pode parecer pouco. Mas, na política, os detalhes costumam dizer muito. E o cidadão atento observa. Sempre.

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