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Auxílio-alimentação vira benefício para vereadores

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • há 14 horas
  • 2 min de leitura

Mesmo sem reajustar os próprios subsídios, vereadores se incluíram no auxílio-alimentação e ampliaram a própria remuneração mensal.


Os vereadores de Araxá pegaram carona e se incluíram no auxílio-alimentação concedido aos servidores do Poder Legislativo. Esse foi um dos temas em debate em uma reunião extensa, que durou mais de sete horas, realizada nesta quinta-feira (19.fev.2026), na Câmara Municipal de Araxá.


Foi aprovado o Projeto de Lei nº 16 de 2026. O texto concede reajuste de 6% aos servidores do Legislativo, sem incluir os vereadores. Até aqui, nada fora do esperado. Reposição salarial é direito.


O problema começa no detalhe.


O mesmo projeto criou Auxílio-Alimentação de R$ 1.823,02 para vigias e R$ 1.515,80 para os demais servidores. E aí está a manobra: incluiu também os agentes políticos. Ou seja: os vereadores.


Sim. Vereadores passaram a ter direito ao auxílio-alimentação.


Desta vez, diferentemente do ano passado, os parlamentares não incluíram os próprios subsídios no reajuste de 6%. O aumento foi restrito aos servidores. Mas, por outro lado, avançaram sobre outro ponto sensível.


A Lei Orgânica do Município é clara ao estabelecer que o vereador deve receber apenas o subsídio, vedado qualquer outro acréscimo. Mesmo assim, o benefício foi aprovado.


No ano passado, houve tentativa de alteração da Lei Orgânica para que os vereadores pudessem posteriormente ser beneficiários de auxílios. Mas a proposta do vereador Roberto do Sindicato foi arquivada sem ser levada à votação em segundo turno. A regra continua escrita. Mesmo assim, agora o benefício foi aprovado e estendido aos próprios parlamentares.


Na prática, além do salário de R$ 14.827,31, cada vereador passará a contar também com o auxílio-alimentação de R$ 1.515,80.


A reação veio dentro da própria Casa. A vereadora Maristela Dutra e o vereador Professor Jales apresentaram emenda para retirar os parlamentares do benefício. O reajuste ficaria. O auxílio para vereadores não.


A emenda teve parecer favorável do relator da Comissão de Justiça, Legislação e Redação Final, vereador João Paulo da Filomena. Mas recebeu votos contrários do presidente Garrado e do membro Chicão Jesus Te Ama. Com dois votos contra, a emenda não seguiu ao plenário.


Maristela recorreu. Pediu que o plenário decidisse. A Mesa colocou o recurso em votação. O resultado foi claro: 9 votos a 3 contra o recurso. A emenda não foi apreciada.


O vereador Rodrigo do Comercial Aeroporto também apresentou emenda com o mesmo objetivo: excluir os vereadores do auxílio. Também recebeu parecer contrário da comissão. Também não chegou ao plenário.


No fim, o projeto foi aprovado por 8 votos a 2. Duas abstenções: Maristela Dutra e Professor Jales. Votaram contra Investigador Rodrigo e Rodrigo do Comercial Aeroporto.


A discussão não foi sobre o reajuste. Ninguém questionou os 6% para os servidores. A polêmica foi outra: vereadores podem criar benefício para si mesmos quando a Lei Orgânica diz que devem receber apenas subsídio?


O plenário respondeu com votos.


Agora a sociedade responde com opinião.

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