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O “Cristo Republicano” que nunca existiu

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • 21 de abr.
  • 3 min de leitura

Neste ano de 2025, no dia seguinte à Páscoa, o Brasil "comemora" uma data curiosamente simbólica: o Dia de Tiradentes. Mas por trás da figura quase sagrada do herói de túnica branca, cabeludo e barbudo — como o Cristo —, existe uma farsa histórica construída com tintas maçônicas, pincelada por positivistas, e moldada para justificar um projeto de poder: a queda da monarquia e o nascimento de uma república que o povo jamais pediu.


A história que aprendemos na escola conta que Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi o mártir da Inconfidência Mineira, um movimento pela independência do Brasil. Mas essa é uma meia-verdade. O movimento não era nacional, mas regional. Os inconfidentes queriam a independência de Minas Gerais, um território rico em ouro e dominado por uma elite descontente com o “quinto” cobrado pela Coroa portuguesa — o famoso “quinto dos infernos”.


Tiradentes não era o líder. Era apenas um alferes, um militar de baixa patente, num grupo composto por coronéis, magistrados e intelectuais. Quando a conspiração foi descoberta antes mesmo de se concretizar, os peixes grandes escaparam. Sobrou Tiradentes, o bode expiatório ideal. Mas ele só se tornou o herói que conhecemos quase cem anos depois.


Do alferes careca ao messias barbudo


Foi apenas em 1870, com o Manifesto Republicano, que a memória de Tiradentes foi recuperada e reinventada. Os republicanos precisavam de um símbolo forte, que comovesse o povo e justificasse o golpe que se aproximava. O imperador era amado, a monarquia tinha apoio popular, e o movimento republicano era impopular. Então foi preciso criar um “Cristo Republicano”.


A imagem de Tiradentes foi moldada para se parecer com Jesus: barba, cabelos longos, túnica branca, doze companheiros e um sacrifício “nobre” pela liberdade. A narrativa ganhou até sua própria Via Sacra — da prisão até a praça onde foi executado. Mas nada disso era real.


O verdadeiro Tiradentes era militar e dentista. Usava farda, era careca e sem barba. Não morreu como contam — há registros de que o verdadeiro Joaquim José da Silva Xavier pode ter sido retirado do Brasil e reaparecido anos depois na França. A execução teria sido encenada, com ajuda de um juiz maçom, Cruz e Silva.


A república que nasceu da mentira


Em 1889, com o golpe que instaurou a República, os militares — muitos deles maçons — adotaram Tiradentes como o mártir da nova era. Em 21 de abril de 1792 teria ocorrido a morte de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, executado por participar da Inconfidência Mineira. Considerado traidor à época, ele teri sido enforcado e esquartejado pela Coroa Portuguesa.


E para dar corpo à farsa, encomendaram ao pintor Décio Villares — também positivista — um retrato idealizado: o Tiradentes cabeludo, barbudo, messiânico. Esse mito serviu como propaganda para sustentar uma nova ordem política nascida sem apoio popular, que derrubou quatro séculos de história e implantou um regime “de elite para elite”, disfarçado de libertação.


A data se tornou feriado nacional em 1965, durante o governo de Castello Branco, no Regime Militar, quando foi sancionada a Lei nº 4.897.


Cristo verdadeiro x Cristo fabricado


É irônico — e revelador — que neste ano o feriado de Tiradentes caia logo após a Páscoa. Porque é exatamente esse o contraste: o Cristo verdadeiro, que se sacrificou por amor à verdade, e o Cristo falso, inventado para sustentar uma mentira política. Comemorar o Dia de Tiradentes é, no fundo, celebrar uma grande encenação: uma peça de teatro escrita por maçons e positivistas, encenada pelos militares e aplaudida por quem nunca soube da história completa.


E assim segue o Brasil, entre falsos heróis, mitos fabricados e a eterna mania de romantizar o que nos afundou.

 
 
 

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