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Superávit milionário e discurso de crise

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Prefeitura de Araxá arrecada R$ 73 milhões acima do previsto, mas atraso de abono dos servidores e caos no asfalto expõem contradições.


No fim do ano passado, o prefeito de Araxá, Robson Magela veio a público falando em crise. Falou em queda de arrecadação. Falou em dificuldades financeiras. O discurso foi usado para justificar o atraso da segunda parcela do abono natalino dos servidores. O pagamento só saiu em janeiro.


Agora surge a planilha oficial. E ela mostra outra coisa. Nesta quarta-feira (25.fev.2026) no plenário da Câmara Municipal de Araxá, o secretário municipal de Fazenda, Planejamento e Gestão, Arnildo Antônio Morais, apresentou em audiência pública a prestação de contas do terceiro quadrimestre de 2025. 


Os números chamam atenção. A meta de arrecadação até o período era de R$ 715.603.000,00. O município arrecadou R$ 788.768.000,00. Um superávit orçamentário de aproximadamente R$ 73,1 milhões. Entre setembro e dezembro, a arrecadação foi de R$ 269,8 milhões.


Na saúde, o mínimo constitucional é 15%. Araxá aplicou 31,4% no quadrimestre e 25,8% no ano, totalizando R$ 143,2 milhões em 2025.


Na educação, o mínimo é 25%. O município aplicou 33,5% no quadrimestre e 29,76% no ano, somando R$ 169,1 milhões.


A dívida consolidada caiu de R$ 21 milhões no primeiro quadrimestre para R$ 16,2 milhões no terceiro.


Os números são positivos.

Mas há um ponto de atenção.


O gasto com pessoal chegou a 47,68% da Receita Corrente Líquida no quadrimestre. No ano, ficou em 39,56%. O limite máximo é 54%. O chamado “limite de alerta” é 48,6%. Ou seja, o município já encosta no alerta técnico.


Agora vem a incoerência.


Se a arrecadação anual superou a previsão em mais de R$ 73 milhões, onde está a crise que a administração Robson-Bosco alegou para justificar o atraso do pagamento do abono natalino dos servidores?


Pode ter havido problema de fluxo de caixa. Pode haver recursos vinculados que não podem ser usados livremente. Pode ter havido priorização de outras despesas. Mas o discurso público precisa "conversar" com os números oficiais.


E há mais.


Enquanto a planilha mostra superávit, a cidade vive uma buraqueira generalizada. Isso foi exposto pos vários vereadores que usaram a tribuna para cobrar solução para o asfalto deteriorado.


O cidadão não vive dentro do relatório contábil. Vive na rua.


Se há arrecadação acima do previsto e redução de dívida, por que a infraestrutura básica está tão comprometida?


Superávit não significa necessariamente boa gestão. Às vezes pode significar investimento abaixo do necessário.


Durante a audiência, vereadores questionaram também os repasses à Santa Casa e à Casa do Caminho. O secretário respondeu. O controlador-geral Bruno Borges também prestou esclarecimentos.


Mas uma pergunta continua no ar. Discurso de crise. Planilha com superávit. Abono atrasado. Asfalto deteriorado. Entre a contabilidade e a realidade, há uma discrepância. E discrepâncias precisam ser explicadas. Com transparência.

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