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Quando o Brasil nasceu com um cruzeiro no céu

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • 22 de abr.
  • 3 min de leitura

Era 22 de abril de 1500. Na imensidão azul do Atlântico, uma frota de treze embarcações — dez naus e três caravelas — singrava as águas como quem atravessa a eternidade. Não vinham bárbaros nem saqueadores — vinham navegadores. Não traziam grilhões nem gritos — traziam mapas, missas e madeira para erguer cruzes. Era o velho mundo se ajoelhando diante do novo. E ali, diante do espanto de um paraíso ainda intocado, nascia o Brasil.


À frente daquela frota estava Pedro Álvares Cabral, capitão-mor da expedição enviada por Dom Manuel I, o Venturoso. Com ele, nomes que atravessaram os séculos: Nicolau Coelho, navegador experiente que havia viajado com Vasco da Gama; Bartolomeu Dias, o mesmo que dobrara o Cabo da Boa Esperança; Gaspar de Lemos, comandante da nau que retornaria a Portugal com a notícia do achamento; e Frei Henrique de Coimbra, o franciscano que celebrou a primeira missa em solo brasileiro, diante de um altar improvisado sob o céu aberto.


As caravelas — ágeis e valentes — tinham nomes que pareciam já prenunciar o destino do que seria esta terra: São Pedro, El-Rei e Sacra Fé. Já as naus maiores, entre elas a Capitânia comandada por Cabral, carregavam mantimentos, soldados, escribas, missionários e sonhos. Muitos sonhos.


Não foi o acaso que os guiou até estas terras. Foi a fé. Foi a estrela do sul, o Cruzeiro brilhando como farol no céu, apontando para um chão que ainda seria pátria. Quando avistaram o Monte Pascoal, não viram apenas um pedaço de terra: viram um altar. E ali, o primeiro gesto foi de reverência. Plantaram a cruz antes de pensar em plantar as estacas.


Há quem diga, com a arrogância dos séculos recentes, que o Brasil começou com violência e pilhagem. Mas é mentira contada com tinta vermelha. A verdade, que nos foi omitida, é que o Brasil começou com oração. Foi com a Santa Missa celebrada por Frei Henrique, rodeado de soldados ajoelhados e indígenas curiosos, que nossa terra foi consagrada, não à guerra, mas à graça.


Aqui não se ergueu uma nação à base de ideologias, mas de valores. Os primeiros homens brancos que aqui pisaram não trouxeram cartilhas revolucionárias, mas catecismos. Não ensinaram luta de classes, mas ensinaram o Pai-Nosso. É claro que houve erros, tropeços, choques culturais. Mas houve também coragem, sacrifício, missão. Não há colonização sem conflito — mas também não há civilização sem coragem.


Nos ensinaram a ter vergonha do nosso nascimento, como se fôssemos fruto de um estupro histórico. Mas não. Somos fruto de um encontro, ainda que conturbado, entre dois mundos. Um encontro que gerou uma nação mestiça, sim, mas profundamente marcada pela cruz, pela língua portuguesa, pela fé cristã e pelos valores que sustentaram gerações.


O Brasil não nasceu para ser colônia eterna de pensamento alheio. Nasceu para ser grande. Nasceu para ser luz do Ocidente, terra de esperança e berço de um povo forte, generoso e temente a Deus. O que fizeram com essa herança, ao longo dos séculos, é outra história. Mas a origem… ah, a origem foi nobre. Foi sagrada. Foi poética.


Hoje, quando tantos tentam reescrever a História com tintas ideológicas, é preciso voltar os olhos para o horizonte. Lembrar que fomos descobertos, sim — mas descobertos por homens de fé que viram nesta terra uma promessa. E que promessa era essa? A de um novo mundo que não precisava ser inventado, apenas revelado.


Neste 22 de abril, celebremos o Descobrimento do Brasil com o coração aberto. Honremos os que vieram com fé, os que ficaram com bravura e os que ainda acreditam que o Brasil é muito mais do que nos dizem por aí. O Brasil é milagre. É missão. E é nosso.

 
 
 

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