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Robson-Bosco quer vender área na Fazenda da Serra

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • há 21 minutos
  • 2 min de leitura

Terreno público de 161 hectares está avaliado em R$ 2,9 milhões; tamanho equivale a 226 campos de futebol.


A administração Robson Magela e Bosco Júnior quer vender uma área pública rural de grande extensão em Araxá. O Projeto de Lei nº 126 de 2026 tramita na Câmara Municipal e autoriza a alienação de um imóvel do município situado na Fazenda da Serra. O projeto deu entrada na Casa em 12 de maio.


A área consta na matrícula nº 44.665 do Cartório de Registro de Imóveis de Araxá. Segundo o texto enviado pelo Executivo, o imóvel tem 161,23 hectares de terras de cultura e campos.


Para quem não está acostumado com essa medida, isso passa de 1,6 milhão de metros quadrados. Em tamanho, equivale a cerca de 226 campos de futebol oficiais. Portanto, a venda não pode ser tratada como simples baixa de patrimônio sem explicações claras à população.


O valor de avaliação informado é de R$ 2.902.183,20.


Na justificativa, a gestão Robson-Bosco afirma que o imóvel não tem destinação pública atual. Também diz que não existe previsão de uso da área em política pública ou projeto institucional específico. Outro argumento apresentado é que o bem gera custos contínuos de manutenção para o município.


Mas a pergunta principal precisa ser feita: por que vender?


Não basta afirmar que a área não tem uso hoje. É preciso demonstrar, com documentos e números, que a venda é realmente mais vantajosa do que manter, usar, conceder, arrendar ou destinar o imóvel a algum projeto de interesse público.


Também é necessário saber se houve estudo sobre o futuro da área. O imóvel poderia servir para algum projeto ambiental, rural, educacional, habitacional ou de interesse coletivo? Essa possibilidade foi analisada? Ou a venda foi escolhida sem comparação com outras alternativas?


O projeto prevê que a alienação será feita por leilão. O pagamento poderá ser à vista ou parcelado em até 24 vezes. No caso de parcelamento, o próprio imóvel ficará como garantia. As parcelas serão corrigidas pelo IPCA. Em caso de atraso, haverá multa de 5%, atualização monetária e juros pela Selic.


A documentação encaminhada traz um parecer técnico de avaliação mercadológica. O laudo aponta o valor final de R$ 2.902.183,20. Mas também é importante saber se essa foi a única avaliação feita. Houve outras avaliações independentes? Quais imóveis foram usados como comparação? Onde ficam? Quais valores foram considerados? Qual foi a memória de cálculo?


Outro ponto essencial é o destino do dinheiro. Se a administração Robson Magela e Bosco Junior vender essa área pública, onde o recurso será aplicado? Em qual obra? Em qual serviço? Em qual política pública? Essa resposta precisa ser objetiva.


Patrimônio público pertence à população. Não é um bem qualquer. Quando o município decide vender uma área desse tamanho, a sociedade precisa saber o motivo, o valor, os critérios e o destino do dinheiro.


A venda pode até ser legal e vantajosa. Mas isso precisa ser provado. Com transparência. Com estudo. Com documentos. E antes da decisão final.


Porque depois que uma área pública é vendida, dificilmente volta para as mãos do povo. E patrimônio público não pode ser tratado como dinheiro rápido para fechar conta de governo.

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