Câmara aprova recursos para cultura
- Gi Palermi
- há 2 dias
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Sessão também aprovou fomento para entidades, mas a própria tribuna mostrou uma Araxá com problemas básicos sem resposta.
A Câmara Municipal de Araxá aprovou, nesta terça-feira (02.jun.2026), três projetos enviados pela administração Robson Magela e Bosco Júnior. Um abriu crédito especial para a Fundação Cultural Calmon Barreto. Outros dois autorizaram repasses: R$ 30 mil para o Festival Aqui Tem Mineiridade e R$ 20 mil para o Instituto São Maximiliano Maria Kolbe.
Não há problema em apoiar cultura. Não há problema em ajudar entidades sérias. Cultura também movimenta a cidade. Entidades sociais também prestam serviço. O problema começa quando a cidade real aparece na mesma sessão e mostra que Araxá continua tropeçando no básico. E foi isso que aconteceu.
Na mesma sessão em que os projetos foram aprovados, a tribuna mostrou outra Araxá. A Araxá de pacientes esperando cirurgia de catarata. A Araxá que ainda cobra resposta sobre os CAPS IJ e AD. A Araxá de gente há mais de dois anos aguardando cirurgia bucomaxilofacial. A Araxá de candidatos aprovados no concurso da Educação sem cronograma claro de convocação.
Essa é a contradição.
A administração Robson-Bosco sempre encontra caminho para repassar dinheiro, abrir crédito, fazer termo de fomento, anunciar festival e produzir discurso bonito. Mas, quando o assunto é fila, médico, obra atrasada, licitação, buraco, iluminação, faixa de pedestre, bueiro e segurança, tudo vira pedido, requerimento, estudo, cronograma e promessa.
Cidade real
A sessão mostrou vereadores pedindo manutenção de cadeira de rodas na UPA, iluminação em bairros, limpeza de ruas, reforço de rondas policiais, videomonitoramento, recapeamento, ponto de atendimento médico e melhorias em praças.
Isso revela algo simples. Araxá não está precisando apenas de evento. Araxá está precisando de gestão.
A cidade precisa de cultura, sim. Mas também precisa de paciente operado. Precisa de criança atendida. Precisa de rua limpa. Precisa de bueiro funcionando. Precisa de faixa pintada. Precisa de praça segura. Precisa de escola com profissional suficiente. Precisa de transparência no uso do dinheiro do pagador de impostos.
O dinheiro público não nasce em árvore. Ele sai do bolso de quem trabalha. Sai do imposto pago no mercado, na conta de luz, no combustível, no comércio, no serviço e no suor do cidadão comum. Por isso, cada real precisa ter prioridade.
Prioridade pública
A pergunta é simples: antes de comemorar repasses, a administração já explicou por que pacientes esperam tanto? Já resolveu os gargalos da saúde? Já mostrou o cronograma da Educação? Já apresentou prazo para obras atrasadas? Já deu resposta clara para quem está na fila?
A Câmara não pode ser apenas balcão de aprovação. Precisa ser instrumento de fiscalização. Aprovar projeto é fácil. Difícil é cobrar prazo. Difícil é exigir documento. Difícil é enfrentar a máquina pública quando ela falha com o cidadão.
A sessão desta terça-feira deixou uma imagem clara. De um lado, dinheiro aprovado. Do outro, problemas empilhados.
E quando uma cidade tem dinheiro para fomentar, mas ainda não consegue resolver o básico, a pergunta que fica é inevitável: o problema de Araxá é falta de recurso ou falta de prioridade?
Projetos aprovados
Projeto de Lei n° 141 de 2026 - Autoriza a abertura de crédito especial ao orçamento vigente da Fundação Cultural Calmon Barreto. Autor: Executivo.
Projeto de Lei n° 142 de 2026 - Autoriza o Poder Executivo a celebrar Termo de Fomento com a Associação dos Moradores e Amigos dos Bairros Adhemar Rodrigues Vale, Andreia, Área III e Estância-AMVEA, no sentido de conceder-lhe contribuição no valor de R$ 30 mil, para fins de apoiar a realização do “Festival Aqui Tem Mineiridade- Edição 2026”. Autor: Executivo.
Projeto de Lei n° 143 de 2026 - Autoriza o Poder Executivo a celebrar Termo de Fomento com o Instituto São Maximiliano Maria Kolbe, no sentido de conceder-lhe auxílio no valor de R$ 20 mil, para fins de permitir a aquisição de equipamentos necessários ao desenvolvimento de suas atividades institucionais. Autor: Executivo.
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