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Araxá e o asfalto que nunca melhora

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

Após cinco anos no poder, gestão Robson Magela repete prática que o próprio prefeito denunciava como vereador: asfalto fino, tapa-buracos ineficiente e prejuízo ao cidadão.


Araxá convive ano a ano com um problema que se repete com pontualidade quase matemática. Basta a primeira chuva da estação das águas para que as ruas se transformem em um mar de buracos, crateras e remendos mal feitos. É um verdadeiro “festival de buracos” que já virou parte da rotina da população.


O que chama atenção não é apenas o problema em si. É a contradição política que ele escancara.


O atual prefeito Robson Magela concluiu em 2025 o primeiro ano de seu segundo mandato. Na prática, já são cinco anos à frente do orçamento, da estrutura administrativa e do poder de decisão. Ainda assim, a má qualidade do asfalto segue entre as principais reclamações do cidadão.


A única coisa que mudou foi que o problema deixou de ser apenas sazonal. Os buracos agora não aparecem só com a chuva. Passaram a surgir também em períodos secos. Ruas recém-recapeadas voltam a apresentar defeitos em pouco tempo. O tapa-buracos virou rotina quase permanente, mas sem resultado duradouro.


Essa realidade contrasta diretamente com o discurso do próprio prefeito antes de chegar ao Executivo.


Em 16 de junho de 2020, quando ainda era vereador, Robson Magela ocupou a tribuna da Câmara Municipal de Araxá para criticar duramente a forma como o asfalto era feito na cidade. Na ocasião, afirmou que o problema não era o tráfego pesado nem fatores externos, mas a decisão da prefeitura de economizar na espessura do pavimento.


Em um dos trechos do discurso, declarou:


"A prefeitura pede a metade da espessura para poder asfaltar o dobro de ruas, para dar uma falsa impressão à população de que está sendo feito um grande serviço de pavimentação asfáltica. Isso é brincar com a população.”

No mesmo pronunciamento, o então vereador afirmou que essa prática tinha interesse eleitoral, gerava desperdício de dinheiro público e resultava em serviços que duravam pouco tempo e precisavam ser refeitos.


Passados mais de cinco anos desde aquela denúncia, o cenário atual levanta uma pergunta inevitável: o que mudou além do cargo ocupado?


Hoje, Araxá enfrenta exatamente aquilo que foi criticado no passado. Asfalto que não resiste. Recapeamentos refeitos em curto intervalo. Buracos que reaparecem rapidamente. E uma população que segue arcando com prejuízos em pneus, rodas, suspensão. E expondo-se a sérios riscos de acidentes ao serem obrigados a ziguezaguear pelas ruas.


Sem investimento consistente em drenagem e sem exigência real de qualidade técnica nas obras, o ciclo se repete. A água infiltra, o asfalto cede e o buraco volta a abrir. O problema não é surpresa. É consequência.


Quando o discurso de ontem não se reflete na prática de hoje, o que sobra é incoerência. No caso do asfalto de Araxá, essa incoerência está espalhada pelas ruas da cidade, visível a olho nu.


Governar é assumir responsabilidade pelo que antes se criticava. E, neste ponto, a gestão atual ainda não conseguiu provar que faz diferente daquilo que condenava da tribuna.


Os buracos continuam. O discurso mudou de lugar. E a população segue esperando que, desta vez, as palavras finalmente se transformem em asfalto que dure mais do que um mandato.

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