Câmara carimba R$ 462 mil para eventos
- Gi Palermi
- 29 de mai.
- 2 min de leitura
ExpoQueijo e Fenadoces são eventos tradicionais e terão apoio público, mas ainda precisam mostrar retorno real para produtores, turismo e população.
A Câmara Municipal de Araxá aprovou, nesta sexta-feira (29.mai.2026), mais R$ 462 mil em recursos públicos para a realização de dois eventos: a ExpoQueijo Brasil 2026 e a Fenadoces, Feira de Doces e Cachaçaria de Araxá.
Foram R$ 220 mil para a ExpoQueijo. E R$ 242 mil para a Fenadoces.
A justificativa da administração Robson Magela e Bosco Júnior para destinar recursos aos dois eventos é que eles fortalecem a cadeia produtiva, valorizam produtores, estimulam o turismo, incentivam o empreendedorismo e projetam Araxá no cenário regional e nacional.
Tudo isso pode ser verdade.
Araxá tem tradição. Tem produtores. Tem doces. Tem queijo. Tem cachaça. Tem história. Tem gente trabalhadora que merece apoio.
O problema não está em apoiar eventos. O problema está em tratar dinheiro público como se fosse apenas um carimbo bonito em leis municipais.
Quando a administração pede crédito especial, a pergunta é simples: se o evento era tão importante, por que esse recurso não foi bem planejado no orçamento desde o início?
Outra pergunta também precisa ser feita: qual será o retorno concreto para Araxá?
Não basta dizer que o evento “fomenta a economia”. Isso é discurso pronto. O cidadão precisa saber quantos produtores serão beneficiados. Quantos expositores participarão. Quanto se espera movimentar. Quanto volta em imposto. Quem recebe o dinheiro. E como será feita a prestação de contas.
Dinheiro público não é dinheiro sem dono.
Ele sai do bolso do trabalhador. Sai do comerciante. Sai do aposentado. Sai da mãe que paga imposto até no arroz, no feijão e no remédio.
Por isso, todo gasto precisa ter explicação clara.
Ainda mais em uma cidade onde a população cobra saúde, remédios, médicos, professores de apoio, ruas sem buracos, segurança no trânsito e cuidado com os bairros.
A festa pode ser bonita. Mas a prioridade precisa ser séria.
Também chama atenção a desorganização. A Câmara precisou fazer reunião extraordinária para aprovar os projetos. A nota oficial diz que os recursos precisam viabilizar a participação do Município “em tempo hábil”.
Ou seja: tudo correu com urgência.
E estamos falando de eventos que já estavam planejados, programados e com data firmada no calendário do município há pelo menos um ano.
Quando é para aprovar dinheiro para evento, a máquina anda rápido. Quando é para responder requerimento, explicar gastos, resolver buraco, fila ou falta de medicamento, aí a população conhece bem a lentidão.
Esse contraste incomoda.
Araxá pode e deve valorizar seus eventos. Mas não pode abrir mão da fiscalização.
ExpoQueijo e Fenadoces podem ser boas vitrines para a cidade. Mas vitrine não substitui prestação de contas.
Antes de aplaudir o gasto, é preciso perguntar: quem ganha, quanto ganha e qual benefício fica para o povo?
Porque festa passa.
A conta fica.
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