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Câmara prefere carimbar a fiscalizar

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Requerimento para segurar venda de imóvel até resposta de Robson-Bosco foi barrado por 7 a 6, com voto decisivo de Raphael Rios.


A Câmara Municipal de Araxá provou mais uma vez, nesta terça-feira (26.mai.2026), que anda mais preocupada em carimbar os atos da administração Robson Magela e Bosco Júnior do que em exercer, com independência, o seu papel de fiscalização.


Por 7 votos a 6, o plenário rejeitou o Requerimento nº 485 de 2026, de autoria do vereador Roberto do Sindicato. O pedido era simples. Ele queria suspender a tramitação do Projeto de Lei nº 126 de 2026 até que a administração Robson-Bosco respondesse a outro pedido de informações.


O projeto trata da venda de uma área da Fazenda da Serra que pertence ao Município desde 2014. Roberto alega que a área foi desapropriada, inicialmente, para retirada de cascalho destinado à manutenção das vias rurais. Mas, durante todo esse tempo, o imóvel não teria recebido destinação. Por isso, ele pediu explicações sobre a necessidade da venda.


Não era um pedido absurdo. Era o mínimo.


Antes de permitir que um projeto siga seu caminho até o plenário, a Câmara deveria exigir resposta clara da administração. Ainda mais quando o assunto envolve patrimônio público. Ainda mais quando a administração tem maioria na Casa. Porque, se o projeto chega à votação sem as respostas, o risco é conhecido: a base aprova e o povo fica sem saber o essencial.


Isso tem se repetido em Araxá. Vereadores fazem requerimentos. Pedem documentos. Cobram informações. As respostas não chegam a tempo. Mesmo assim, os projetos continuam andando. A fiscalização fica para depois. O carimbo vem antes.


Votação exposta


O episódio desta terça chamou ainda mais atenção porque requerimentos, moções e indicações costumam ser votados em bloco, ou seja, todos juntos no fim da reunião. Desta vez, o vereador Garrado pediu a votação separada do Requerimento nº 485 de 2026. Com isso, cada vereador precisou mostrar sua posição.


Votaram a favor do requerimento, ou seja, pela suspensão da tramitação da venda da área pública rural até a chegada das respostas: Maristela Dutra, Kaká da Mercearia, Roberto do Sindicato, Chicão Jesus Te Ama, Fernanda Castelha e Professor Jales.


Votaram contra: Marciony Sucesso, Garrado, Alexandre Irmãos Paula, Investigador Rodrigo, João Veras, João Paulo da Filomena e Raphael Rios.


O placar mostra o tamanho do problema. Houve empate entre os vereadores que votaram antes do presidente. Coube a Raphael Rios desempatar. E ele votou contra o pedido de Roberto do Sindicato.


Na prática, o presidente da Câmara negou a um vereador o reforço de uma prerrogativa básica: fiscalizar antes de votar. Mas, Raphael é amigo pessoal e do mesmo partido do prefeito Robson Magela. Isso não torna o voto ilegal. Mas torna o episódio politicamente grave. Porque o cidadão olha e pergunta: a Câmara está fiscalizando ou blindando o Executivo?


A pergunta é dura. Mas precisa ser feita.


O vereador não pede informação para satisfazer curiosidade pessoal. Ele pede porque representa a população. Quando uma resposta é negada, atrasada ou empurrada para depois, não é apenas o vereador que fica sem informação. É o povo.


Outras pautas


Na mesma sessão, a Câmara aprovou três projetos de denominação de ruas no Residencial Monte Haramun. Também aprovou o Projeto de Lei nº 139 de 2026, que autoriza o Executivo a celebrar termo de fomento com o Instituto Cultural Veteran Car de Minas Gerais, no valor de R$ 100 mil, para apoio ao Brazil Classics Show 2026.


Na tribuna, Professor Jales cobrou justamente mais respeito aos requerimentos de informação e defendeu que esse instrumento de fiscalização seja preservado. Também tratou de transporte coletivo, direitos dos servidores, merenda escolar, cursos de costura, Cozinha Comunitária e manutenção no Campo Ione Alves Raul.


Alexandre Irmãos Paula pediu bancos para uma praça no Jardim Europa, estudo para atendimento pediátrico na Unileste e na Uninorte e a criação da Feira da Lua. 


Roberto do Sindicato apresentou emendas à LDO de 2027 para ampliar o controle da Câmara sobre repasses, remanejamentos e operações de crédito. 


Garrado destacou obras atendidas pelo Executivo e prestou homenagens a radialistas e à Festa de Santos Reis.


Fernanda Castelha cobrou transparência sobre a venda do Hotel Colombo, pediu pediatras nos AMEs Uninorte e Unileste e agradeceu a destinação de mais de R$ 1 milhão para exames de cateterismo na Santa Casa. 


Chicão Jesus Te Ama apresentou proposta para criar a “Colônia de Férias Legal”, além de pedir limpeza de grelhas pluviais, melhorias na saúde do Jardim Europa, parquinho para o CEPAC e manutenção na Estrada da Fran.


Chance perdida


A sessão teve muitos temas importantes. Mas o ponto central foi outro: a Câmara teve a chance de dizer que projeto sem resposta não deve andar. Teve a chance de fortalecer a fiscalização. Teve a chance de mostrar independência.


Preferiu dizer não.


E quando a Câmara diz não ao direito de fiscalizar, ela não atinge apenas um vereador. Ela enfraquece o próprio Legislativo. Ela diminui o papel da Casa. Ela deixa a população mais distante das decisões tomadas com o dinheiro e o patrimônio do povo.


Araxá não precisa de uma Câmara que apenas bata carimbo. Araxá precisa de vereadores que perguntem, insistam, cobrem e só votem depois de saber exatamente o que está sendo colocado em jogo. Porque o patrimônio público não pertence ao prefeito. Não pertence à base. Não pertence à oposição.


Pertence ao povo.


Projetos aprovados


Projeto de Lei nº 133 de 2026 - dispõe sobre denominação de via pública e dá outras providências. Denomina Rua Manoel Braz dos Santos a atual Rua “L”, no Loteamento Residencial Monte Haramun. Autor: vereador João Paulo da Filomena.


Projeto de Lei nº 134 de 2026 - dispõe sobre denominação de via pública e dá outras providências. Denomina Rua Claudia Generosa Lourenço a atual Rua “C”, no Loteamento Residencial Monte Haramun. Autor: vereador João Veras.


Projeto de Lei nº 135 de 2026 - dispõe sobre denominação de via pública e dá outras providências. Denomina Rua Fabio Vicente de Paiva a atual Rua “M”, no Loteamento Residencial Monte Haramun. Autor: vereador Rodrigo do Comercial Aeroporto.


Projeto de Lei nº 139 de 2026 - autoriza o Poder Executivo a celebrar termo de fomento com o Instituto Cultural Veteran Car de Minas Gerais, no sentido de conceder contribuição no valor de R$ 100 mil para custeio e manutenção de suas atividades, em especial a realização do evento “Brazil Classics Show 2026”. Autor: Executivo.

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