Robson-Bosco arrecada R$30 milhões a mais
- Gi Palermi
- 28 de mai.
- 3 min de leitura
Prestação de contas do 1º quadrimestre expõe contraste entre arrecadação acima da meta, filas, falta de medicamentos e nova dívida milionária.
Entre janeiro e abril deste ano, a administração Robson Magela e Bosco Júnior arrecadou R$ 30 milhões acima do esperado. A previsão era arrecadar R$ 261,4 milhões. Mas a receita chegou a R$ 292,1 milhões. O dado consta no relatório apresentado nesta quarta-feira (27.mai.2026), em audiência pública na Câmara Municipal.
A princípio, isso poderia ser uma boa notícia. E seria, se o resultado aparecesse com mais força na vida da população. Mas não é o que muita gente sente.
Vida real
Semana após semana, vereadores levam à tribuna cobranças que mostram outra realidade. Falta medicamento na Farmácia Municipal. Há pessoas aguardando vaga para cirurgias. Há pacientes esperando consultas com especialistas. Há famílias cansadas de buscar atendimento, explicação e solução.
Por isso, a pergunta é inevitável: se entrou mais dinheiro do que o previsto, por que tanta coisa básica continua sem resposta?
O dinheiro público não nasce em planilha. Ele sai do bolso do trabalhador. Sai da mesa das famílias. Sai dos impostos que o cidadão é obrigado a pagar em tudo: na comida, na conta de luz, no combustível, no remédio e no serviço.
Por isso, cada real precisa voltar em forma de atendimento, cuidado, obra necessária e serviço funcionando.
Conta pesada
A situação fica ainda mais difícil de entender quando lembramos que, há poucos dias, a Câmara aprovou um empréstimo de R$ 50 milhões. Com os juros, essa dívida pode chegar perto de R$ 90 milhões. A cidade precisa discutir isso com maturidade.
Se a arrecadação veio R$ 30 milhões acima do previsto em apenas quatro meses, por que contrair uma dívida tão pesada? Se houve resultado acima da meta, por que tantos serviços ainda parecem andar no limite? Se o caixa melhorou, por que o cidadão continua encontrando tanta dificuldade na ponta?
Essas perguntas não são perseguição. São direito de quem paga a conta.
O relatório mostra que a saúde recebeu aplicação de R$ 50,5 milhões no quadrimestre, acima do mínimo constitucional. Também mostra repasses importantes para Santa Casa, Casa do Caminho, UPA, Centro de Diálise, APAE e rede de urgência.
No papel, o dinheiro aparece. Na prática, a população ainda cobra atendimento, estrutura, rapidez e regularidade.
Esse é o ponto central. O debate não pode parar no “gastou o mínimo” ou no “gastou acima do mínimo”. A pergunta correta é outra: o serviço melhorou na mesma proporção do dinheiro aplicado?
Prioridade pública
Na educação, a administração também informou aplicação acima do mínimo. Na merenda escolar, o valor total aplicado foi de R$ 4,2 milhões, com R$ 5,28 por aluno ao dia. É um dado importante. Mas também precisa ser comparado com a realidade das escolas, com a qualidade da alimentação e com as necessidades de alunos e servidores.
Outro ponto chama atenção. A despesa empenhada no quadrimestre chegou a R$ 312 milhões, enquanto a arrecadação foi de R$ 292 milhões. Empenho não é pagamento imediato. Mas é compromisso assumido. Por isso, exige cuidado.
Governo responsável não deve apenas arrecadar bem. Deve gastar bem. E gastar bem é escolher prioridade. Araxá não precisa de propaganda bonita para maquiar problema velho. Precisa de gestão que transforme dinheiro público em resultado visível.
A prestação de contas mostra números. Mas número, sozinho, não resolve a vida de ninguém. Planilha não entrega remédio. Gráfico não marca consulta. Audiência pública não reduz fila de cirurgia.
O que muda a vida do povo é gestão eficiente, escolha correta de prioridade e respeito com o dinheiro público.
Araxá não precisa apenas arrecadar bem. Precisa gastar bem. Quando o governo arrecada acima do previsto, mas o cidadão continua sem resposta no serviço básico, fica a impressão de falta de planejamento. E, em alguns casos, de irresponsabilidade com um dinheiro que custa caro para a população.
O mínimo que a administração Robson-Bosco deve ao povo é explicar melhor para onde está indo esse dinheiro. Porque prestar contas não é apenas mostrar quanto entrou e quanto saiu. É mostrar, com clareza, onde o dinheiro aparece na vida das pessoas.
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