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Gestão Robson-Bosco acusa médicos

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • 26 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Repetindo postura anterior, administração Robson-Bosco acusa médicos, bloqueia críticas e não apresenta solução clara para crise de falta de pagamentos.


A nota de repúdio dos médicos do hospital Santa Casa de Misericórdia, divulgada nesta quinta-feira (26.jun.2025), gerou grande repercussão em Araxá. E como resposta, a administração Robson Magela e Bosco Júnior publicou uma nota oficial nas redes sociais. O conteúdo, porém, não trouxe solução imediata para o drama dos médicos — trouxe acusações.

Com o título “Esclarecendo a Verdade”, a gestão não só negou responsabilidade pelo atraso como classificou a denúncia dos profissionais como "informações levianas". E o mais grave: os comentários da publicação foram bloqueados, impedindo a população de reagir, opinar ou contestar. Um gesto que fala por si só.

Quem está falando a verdade?

Segundo a gestão municipal, os salários dos médicos da Santa Casa ainda não foram pagos porque o plano de trabalho de abril, apresentado pelo hospital, continha “divergência na documentação exigida pela lei”. A nota afirma que somente na terça-feira (24) o convênio foi regularizado e o pagamento será programado “o mais breve possível”.

Já os médicos dizem outra coisa: que estão sem salário desde abril, que esse tipo de atraso é recorrente e que não há diálogo efetivo com a gestão. Eles relatam angústia, contas vencidas e uma rotina de desvalorização.


“É desumano e inaceitável”, afirmam, lembrando que muitos já deixaram Araxá por não conseguirem mais se sustentar.

Contradições e acusações

Essa não é a primeira vez que a gestão Robson-Bosco reage com acusações à comunidade médica da cidade. No início deste mês, 28 médicos da rede de urgência e emergência vieram a público denunciar o mesmo problema: falta de pagamento e atrasos recorrentes. E, também naquela ocasião, a administração Robson-Bosco publicou uma nota oficial que tentou desqualificar os profissionais, acusando-os de “mentiras” e de distorcer os fatos.

A tentou minimizar a gravidade da situação. Alegou que os valores em atraso eram pequenos e insinuou que os médicos estavam exagerando. O mais grave foi a tentativa de associar os profissionais a uma suposta ameaça de paralisação dos atendimentos, algo que não constava em nenhum trecho da nota dos médicos.

Guerra de narrativa

Quando médicos — profissionais que salvam vidas diariamente — são chamados de levianos por denunciarem meses sem salário, algo está fora do lugar. Quando a população é impedida de comentar publicações oficiais, a transparência deixa de existir. E quando a resposta ao problema é empurrar a culpa para o hospital ou para a burocracia, o que se vê é falta de empatia e excesso de arrogância administrativa.

Não se trata de discutir quem carimbou qual papel. Trata-se de vida real: pais e mães de família que estão trabalhando sem saber quando ou se vão receber. Trata-se de uma cidade que pode vir a ficar sem atendimento médico se a situação continuar se arrastando. Afinal, que médico vai querer permanecer prestando atendimento na rede pública municipal se não há compromisso com o pagamento dos salários?

O próprio histórico da gestão prova que a crise não é pontual. Médicos da Santa Casa, da UPA, da urgência e emergência... todos relatam a mesma experiência de atrasos constantes de salários e descaso. A cada denúncia, a resposta da administração é quase sempre a mesma: uma nota pública acusando, desviando o foco, e dizendo que tudo será resolvido “em breve”. Mas esse “em breve” nunca chega.

Médicos seguem sem salário

A população de Araxá precisa saber o que está acontecendo. Precisa saber que há médicos atendendo sem salário há meses. Precisa saber que há dois lados dessa história — e que um deles está com o bisturi na mão e o bolso vazio. Bloquear comentários nas redes sociais não silencia a realidade.

Se a Prefeitura quer mesmo “esclarecer a verdade”, o caminho não é desacreditar quem trabalha e não recebe o seu salário no fim do mês, mas sim agir com responsabilidade, humildade e diálogo. E acima de tudo: pagar quem está na linha de frente cuidando da saúde da população. Afinal, o dinheiro é da própria população.

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