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Moraes ameaça prender testemunha em julgamento

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • 23 de mai.
  • 2 min de leitura

O que era para ser um depoimento técnico virou mais um episódio constrangedor para o Judiciário brasileiro. Na sexta-feira (23.mai.2025), durante o julgamento sigiloso da ação penal do golpe de estado fictício, Alexandre de Moraes protagonizou uma cena que expôs seu desequilíbrio e o autoritarismo.

 

A testemunha da vez era o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo, chamado para depor em defesa do almirante Almir Garnier Santos. Ao tentar esclarecer que a expressão “estar à disposição” era um termo comum no meio militar e político, Rebelo foi abruptamente interrompido por Moraes, que disparou:


“Então o senhor não tem condições de avaliar a língua portuguesa naquele momento. Atenha-se aos fatos.”

 

Calmo, porém firme, Aldo respondeu:


“A minha apreciação da língua portuguesa é minha. Não vou admitir censura.”

Foi o suficiente para Moraes perder a compostura e ameaçar prender o ex-ministro por desacato:


“Se o senhor não se comportar será preso por desacato.”

 

O episódio gerou indignação entre juristas e parlamentares atentos ao julgamento. Afinal, uma testemunha não pode ser cerceada por exercer o direito de explicar o contexto de uma declaração — ainda mais se tratando da língua portuguesa, cujo uso figurado é parte da comunicação cotidiana.

 

O julgamento, que já acontece longe dos olhos da imprensa e do público, escancarou ainda mais a postura inquisitorial da corte. Como se não bastasse a ameaça de prisão à testemunha, outro momento constrangedor ficou registrado: o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi flagrado dizendo “fiz uma cagada agora” ao conversar com seus assessores, logo após cometer um deslize durante o interrogatório.

 

A sessão deixou um recado claro: o uso da toga para calar dissidentes e intimidar testemunhas não passará despercebido. Cada vez mais, o Supremo se afasta do papel de guardião da Constituição para assumir o de tribunal de exceção.

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