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MPMG endurece contra gestão Robson-Bosco

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • 15 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Após meses de atrasos salariais, denúncias de médicos e risco ao atendimento, Ministério Público pede à Justiça medidas para evitar colapso da rede pública.


O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu à Justiça uma medida mais dura contra a Prefeitura de Araxá na área da saúde. O pedido foi feito pela Promotoria de Defesa da Saúde do município.


O motivo é o descumprimento de um acordo firmado em junho deste ano entre a Prefeitura, o Governo de Minas e os hospitais Santa Casa e Casa do Caminho. Esse acordo foi criado para garantir que os hospitais continuassem funcionando normalmente e atendendo a população de Araxá e da região.


Entre os compromissos assumidos estavam a assinatura de contratos obrigatórios com os hospitais e o repasse regular de recursos do SUS, vindos da União, do Estado e do Município.


Segundo o Ministério Público, a Prefeitura não cumpriu o que foi combinado. Os contratos com os hospitais não foram formalizados dentro do prazo. Além disso, os repasses de dinheiro estão atrasados, principalmente os recursos estaduais e federais.


Crise anunciada 


A decisão do Ministério Público de Minas Gerais não caiu do céu. Ela é resultado de um ano inteiro de desgaste na saúde pública de Araxá.


Desde os primeiros meses de 2025, médicos da Santa Casa e da Casa do Caminho convivem com atrasos frequentes nos salários. Em alguns momentos, o pagamento simplesmente não veio. Em outros, veio pela metade ou fora do prazo.


Ao longo do ano, os profissionais alertaram várias vezes que a situação estava ficando insustentável. Mesmo assim, continuaram atendendo. Plantões foram mantidos. Emergências seguiram abertas. Vidas continuaram sendo cuidadas.


Mas o limite foi sendo empurrado mês após mês.


Desabafo público


Nos últimos dias, a indignação ganhou rosto e voz nas redes sociais. Uma médica usou seu próprio perfil para desabafar. Não falou como sindicalista. Falou como mãe, profissional e ser humano. Disse que trabalha, cumpre plantões, atende pacientes, mas chega em casa sem salário. Contou da angústia de ter contas vencendo, compromissos assumidos e nenhuma resposta concreta.


Disse que dói salvar vidas durante o dia e, à noite, não saber como manter a própria casa em pé. O desabafo escancarou o que muitos vivem em silêncio.


Risco real


Enquanto isso, hospitais passaram a alertar oficialmente a Justiça sobre os riscos. Faltam recursos para pagar profissionais, comprar insumos e manter o equilíbrio financeiro. O problema deixou de ser administrativo. Virou ameaça real ao atendimento da população.


Foi diante desse cenário que o Ministério Público decidiu agir.


Segundo o MP, a Prefeitura de Araxá deixou de cumprir compromissos básicos assumidos ao longo do ano, como a formalização de contratos e a regularidade nos repasses de recursos da saúde. Os atrasos se acumularam. As consequências também.


A promotoria entendeu que não era mais possível apenas aguardar promessas. Pediu à Justiça medidas concretas para garantir que os hospitais continuem funcionando e que o atendimento não seja interrompido.


Freio puxado


A rede hospitalar de Araxá atende cerca de 190 mil pessoas da microrregião. Qualquer falha atinge diretamente quem depende do SUS.


O Ministério Público afirma que sua atuação tem um único foco: proteger o direito à saúde da população e evitar o colapso dos serviços.


Depois de um ano inteiro de alertas ignorados, a crise chegou ao ponto em que alguém precisou puxar o freio de emergência. E puxou.

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