Requerimentos ignorados revoltam vereadores
- Gi Palermi
- 3 de jun.
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A terça-feira (03.jun.06) foi de desabafo na Câmara Municipal de Araxá. Mais uma vez, os vereadores reclamaram abertamente da falta de resposta por parte da administração Robson Magela e Bosco Júnior. O clima esquentou quando os parlamentares começaram a relatar, um a um, o volume de requerimentos e indicações enviados ao Poder Executivo que seguem sem qualquer retorno. Para os vereadores, a situação já ultrapassou os limites do aceitável e está virando rotina de descaso.
Quem puxou o coro da indignação foi o vereador Rodrigo do Comercial Aeroporto. Ele cobrou que o Poder Legislativo notifique oficialmente a Prefeitura exigindo providências, já que tem exatos 22 pedidos protocolados sem resposta alguma. Desses, 13 são indicações importantes para bairros da cidade e 9 são requerimentos de interesse coletivo. Segundo ele, até hoje a administração não teve sequer o cuidado de emitir uma negativa formal. Para Rodrigo, parece que, para a atual gestão, o documento assinado por um vereador tem o mesmo valor de um risco feito na água. Ele reforçou que esses pedidos não saíram da cabeça dele, mas do povo que bate à porta do seu gabinete. Gente que acorda cedo para trabalhar, paga imposto, estoura pneu em buraco e precisa de serviço público funcionando. E completou dizendo que a Secretaria da Fazenda e outras áreas da gestão simplesmente ignoram completamente o papel de dar retorno à Câmara.
Ainda segundo Rodrigo, esse comportamento representa uma grave violação ao princípio constitucional de respeito entre os Poderes.
O vereador Kaká da Mercearia também se posicionou sobre o problema. Para ele, o desrespeito da Prefeitura não é com os vereadores em si, mas diretamente com a população. Segundo Kaká, os vereadores são apenas o canal entre o povo e o Executivo, e quando não há resposta, quem perde é a comunidade. Ele lembrou que o trabalho na Câmara não é por interesse próprio, mas sim por demandas reais, muitas vezes urgentes, vindas diretamente das ruas.
A vereadora Maristela Dutra reforçou a fala dos colegas. Segundo ela, mais de 20 pedidos seus seguem sem resposta. As únicas secretarias que, segundo ela, ainda se dão ao trabalho de responder são as de Serviços Urbanos, Educação e Segurança Pública. O restante costuma pedir prazo de 30 dias para responder e, quando esse prazo vence, pedem mais 30. Ela compartilhou o caso de um pedido feito à Secretaria da Fazenda sobre o pagamento de uma verba já depositada. Em vez de uma resposta concreta, recebeu a orientação para enviar o requerimento ao gabinete do prefeito. Para Maristela, nem isso deveriam fazer. Ela desabafou que a situação está ficando insustentável, e que os vereadores são cobrados diariamente pela população. Trabalham dia, noite, feriado e fim de semana, e muitas vezes são acusados de não fazer nada, quando na verdade estão sem retorno por parte da administração. Ela deixou claro que, para ela, ocupar uma cadeira no Legislativo não é questão de poder, mas de missão pública.
Mais verbas para segurança e saúde da mulher
Mesmo diante das críticas à gestão municipal, a Câmara cumpriu sua pauta de votações. Dois projetos de lei foram aprovados por unanimidade entre os vereadores presentes.
O primeiro foi o Projeto de Lei nº 98 de 2025, que autoriza a Prefeitura a abrir um crédito especial de R$ 25 mil para a Secretaria de Segurança Pública. O recurso será usado para firmar um convênio com o Conselho Comunitário de Segurança Pública de Araxá (CONSEP), com foco na reestruturação do 37º Batalhão da Polícia Militar da cidade.
O segundo foi o Projeto de Lei nº 106 de 2025, que destina R$ 30 mil à Fundação de Assistência à Mulher Araxaense (FAMA), visando apoiar suas atividades voltadas à saúde da mulher.
Na tribuna
Dentro do revezamento adotado pela Casa, nesta semana, usaram a tribuna:
O vereador Investigador Rodrigo apresentou o projeto “Impacto Consciente”, que propõe a aplicação de multas para pessoas que forem flagradas usando drogas em locais públicos. Segundo ele, a medida é uma forma de inibir esse tipo de comportamento e proteger as famílias que frequentam praças e espaços comunitários.
João Veras usou seu tempo para propor a criação de uma licença parental igualitária para servidores públicos do município. Ele também prestou homenagem à Polícia Militar, reconhecendo o trabalho diário da corporação em prol da segurança da população.
João Paulo da Filomena abordou temas culturais, ambientais e ligados à saúde pública. Ele defendeu a ampliação de projetos nessas áreas e sugeriu que o município invista mais em ações de prevenção e valorização das tradições locais.
Marciony Sucesso focou em temas práticos, como infraestrutura urbana, saúde e segurança comunitária. Ele defendeu a criação de um centro de reabilitação fisioterapêutica e a implantação de um programa de primeiros socorros em creches, o que, segundo ele, pode salvar vidas e dar mais segurança às famílias.
Kaká da Mercearia usou seu tempo para apresentar indicações voltadas à melhoria no funcionamento do aeroporto, das unidades básicas de saúde e do sistema de transporte público urbano, que vem sendo alvo de críticas constantes da população.
Rodrigo do Comercial Aeroporto também reforçou suas cobranças por mais transparência na gestão municipal, melhorias no setor de saúde e a continuidade do Programa Fosfogesso, que beneficia diretamente os produtores rurais do município.
Silêncio que fala alto
A sessão desta terça deixou evidente que, por mais que os vereadores façam seu trabalho, o retorno do Executivo deixa a desejar. Projetos são aprovados, pedidos são feitos, mas o que volta — se volta — é o silêncio. E o maior prejudicado não é o político que não recebe resposta. É o cidadão, que vê suas necessidades sendo ignoradas por uma gestão que parece fechar os ouvidos para as demandas do povo.
Enquanto os vereadores cobram, insistem e se justificam perante a comunidade, o Executivo se cala. E num município onde a população quer respostas rápidas, esse silêncio começa a soar como barulho demais.
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