top of page

Socorro em Araxá passa por Uberaba

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Cobrança na Câmara expõe que chamadas do Samu e dos Bombeiros feitas em Araxá ainda passam por Uberaba antes de chegar ao socorro local.


Ao ligar para os números de emergência do Samu ou dos Bombeiros, o cidadão de Araxá pode não saber, mas o pedido de socorro passa por uma central de atendimento em Uberaba. E isso, por si só, já deveria acender um alerta. 


Ninguém liga para o Samu por capricho. Ninguém chama os Bombeiros por brincadeira. Quem faz esse tipo de ligação está com medo, pressa e, muitas vezes, diante de uma situação que pode envolver vida ou morte.


Pode ser uma criança engasgada. Um idoso passando mal. Uma vítima de acidente. Uma casa pegando fogo. Uma pessoa com sinais de infarto ou AVC. Nessas horas, o caminho entre o pedido de socorro e a chegada da ajuda precisa ser o mais curto possível. Mas, na prática, não é o que acontece. 


O assunto veio a público em cobrança feita na tribuna pelo vereador Jairinho Borges, durante a reunião ordinária da Câmara Municipal de Araxá desta terça-feira (23.jun.2026). A sessão não teve votação de projetos de lei. Mas deixou uma discussão importante para a vida da população.


Se Araxá tem base dos Bombeiros e do Samu, as ligações deveriam ser atendidas diretamente em Araxá, e não mais centralizadas em Uberaba. A cobrança é justa. E deveria ser tratada como prioridade.


Araxá não é bairro de Uberaba. Araxá é uma cidade de porte regional. Tem mineração, turismo, comércio forte, zona rural, rodovias movimentadas, bairros distantes e uma população que trabalha, paga imposto e precisa de serviço público eficiente. Se a emergência acontece aqui, a resposta precisa começar por aqui.


Não se trata de briga entre cidades. Também não é vaidade política. É lógica. É respeito ao cidadão. É compromisso com a vida.


Quem mora em Araxá conhece melhor os pontos de referência da cidade. Sabe onde fica um bairro. Entende o nome popular de uma avenida. Identifica uma estrada rural. Reconhece uma rotatória. Em uma situação de pânico, isso faz diferença.


A pessoa que liga para pedir socorro nem sempre consegue explicar tudo com calma. Ela pode estar nervosa. Pode estar chorando. Pode não saber o endereço completo. Pode estar tentando salvar alguém enquanto fala ao telefone.


Nessa hora, um atendimento mais próximo pode ajudar a localizar a ocorrência com mais rapidez e precisão.


O Brasil já sofre demais com burocracia. O Estado cresce, a máquina pesa, os processos se multiplicam, mas o cidadão continua esperando na ponta. Só que emergência não combina com espera.


O Samu em Araxá foi apresentado como uma conquista histórica. E foi mesmo. Uma cidade com a importância de Araxá precisa desse serviço. Mas não basta ter base, ambulância, placa e solenidade. O sistema precisa funcionar bem desde o primeiro contato. E o primeiro contato é a ligação.


Se o pedido de socorro já começa passando por outra cidade, existe uma fragilidade que precisa ser explicada. Pode haver justificativa técnica. Pode existir regra regional. Pode haver modelo administrativo. Mas a vida real precisa falar mais alto do que o papel. A população tem direito a respostas claras.


Quem decidiu pela centralização em Uberaba? Existe estudo mostrando que esse modelo é melhor para Araxá? Qual é o tempo médio entre a ligação e o acionamento da equipe? Houve demora em algum atendimento? Quantas chamadas de Araxá passam por essa central? O que falta para que o atendimento seja feito diretamente no município?


Essas perguntas não são pequenas. Elas dizem respeito à segurança de qualquer família. Não adianta fazer discurso bonito sobre saúde pública e deixar dúvida justamente na porta de entrada do socorro. Saúde não é só prédio. Não é só ambulância nova. Não é só inauguração. Saúde pública também é organização, agilidade, comando claro e resposta rápida.


O vereador Jairinho Borges fez bem em levantar o assunto. Agora a cobrança precisa avançar. Prefeitura, Governo de Minas, Samu, Corpo de Bombeiros e demais órgãos responsáveis devem explicações à população.


Quando o assunto é emergência, desculpa não salva vida. O que salva vida é atendimento rápido. E se a ligação pode ser atendida em Araxá, que seja em Araxá.


O básico também falha


A mesma reunião mostrou outras cobranças importantes.


A vereadora Fernanda Castelha levou à tribuna uma denúncia grave sobre o banheiro público municipal ao lado do Teatro Municipal. A obra foi inaugurada há pouco mais de dois anos e custou mais de R$ 431 mil. Mesmo assim, segundo a vereadora, o local já apresenta infiltrações, mofo e falhas de planejamento. Ela também cobrou estrutura adequada para os servidores que trabalham no espaço.


Chicão Jesus Te Ama apresentou proposta voltada à infância, com criação da Política Municipal de Estímulo ao Brincar e da Semana Municipal do Brincar. A iniciativa valoriza o lazer das crianças, o uso dos espaços públicos pelas famílias e a manutenção dos playgrounds. Ele também sugeriu incentivo financeiro por desempenho para servidores da Assistência Farmacêutica.


Professor Jales tratou de fiscalização, transparência e cultura. Pediu informações sobre auxílio-alimentação dos servidores, processos seletivos da Educação, Rede Municipal de Urgência e Emergência e Fazenda da Serra. Também cobrou melhorias em escolas, iluminação pública, ligação viária entre bairros e apoio às famílias nas inscrições de programas habitacionais.


Alexandre Irmãos Paula apresentou demandas de segurança no trânsito, mobilidade e organização urbana. Pediu estudos para faixas de pedestres em rotatórias, ponto de ônibus com cobertura e acessibilidade na avenida Ministro Olavo Drummond e modernização do videomonitoramento da UPA. Também tratou da regulamentação de painéis digitais publicitários e da declaração de utilidade pública da Associação de Família em Ação de Araxá.


Garrado destacou serviços de limpeza urbana e operação tapa-buracos no bairro Dona Adélia II. Também homenageou servidores e profissionais da saúde, com reconhecimento ao trabalho prestado na AME Unileste 24 Horas e na UBS Unileste 24 Horas.


A reunião não teve votação. Mas deixou recados importantes. O principal deles é simples: Araxá precisa parar de normalizar falhas no básico.


Emergência precisa ser rápida. Obra pública precisa ser bem feita. Dinheiro público precisa ser respeitado. E o cidadão precisa estar no centro das decisões.


Porque uma cidade não se mede apenas por discurso, placa e propaganda. Uma cidade se mede pela capacidade de cuidar do povo quando o povo mais precisa.

Posts Relacionados

Ver tudo
Terceirização da Saúde em debate

Audiência Pública lota Câmara e expõe temor de que quase R$68 milhões da Rede de Urgência e Emergência virem uma caixa-preta em Araxá

 
 
 
Araxá beira R$ 1 bilhão em 2027

Projeto que prepara o orçamento do ano que vem prevê R$ 930 milhões, mas levanta dúvidas sobre investimento, controle e transparência.

 
 
 

Comentários


Mais recentes

Arquivo

bottom of page