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Vereadores de Araxá aprovam repúdio a Lula

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • há 2 horas
  • 6 min de leitura

Moção expõe fala em que Lula ofende delegados e policiais civis enquanto, banaliza o roubo de celular e volta a passar a mão na cabeça de bandidos.


A reunião da Câmara Municipal de Araxá desta terça-feira (16.jun.2026) deixou uma pergunta difícil para Lula: de que lado está o chefe da nação quando fala de segurança pública?


Enquanto brasileiros são assaltados nas ruas, levam coronhada, apanham, tomam tiro e até morrem por causa de um celular, Lula decidiu tratar o assunto como se fosse quase um mal-entendido social. Pior. Ao falar sobre a devolução de aparelhos roubados, ainda lançou suspeita contra delegados, investigadores, escrivães, peritos e policiais civis de todo o Brasil.


O assunto foi levado à tribuna pelo vereador Investigador Rodrigo, que apresentou Moção de Repúdio contra as declarações do presidente da República. A fala de Lula aconteceu durante reunião do Conselhão, em Brasília, ao comentar uma proposta do governo para mandar mensagens a pessoas que estejam com celulares roubados.


Lula disse:


“Eu vou efetivamente despachar o sinalzinho para quem tiver com o telefone roubado devolver, porque senão pode ter consequências. A dúvida é que eu não quero devolver na delegacia, eu quero devolver no Correio. Na delegacia, as pessoas têm até medo, porque não sabem o tipo de delegado que vão encontrar ou o tipo de policial”.

A frase é grave. Não foi uma crítica pontual. Foi uma insinuação lançada contra uma instituição inteira.


E aqui está o ponto central. O problema, para Lula, parece não ser o celular roubado. Não parece ser a vítima que trabalhou para comprar o aparelho. Não parece ser o cidadão assaltado na rua. O cuidado maior aparece voltado para quem está com o produto roubado e pode sofrer o que, para ele, seria uma “punição desnecessária”. É a velha inversão de valores. O criminoso vira coitado. A polícia vira ameaça. A vítima vira detalhe.


Essa lógica já é conhecida. O PT costuma tratar o crime como resultado apenas da desigualdade. Com isso, reduz a responsabilidade individual de quem rouba, agride, ameaça e mata. A pobreza vira desculpa. O bandido vira vítima social. E o policial, que sai de casa sem saber se volta, vira suspeito antes mesmo de ser ouvido. Isso enfraquece a autoridade, desmoraliza a segurança pública e passa uma mensagem perigosa ao país.


Na tribuna, Investigador Rodrigo defendeu a valorização dos profissionais da segurança pública. Ele lembrou a importância do trabalho feito por delegados, investigadores, escrivães, peritos e demais servidores que atuam todos os dias na proteção da população.


Roubo de celular não é brincadeira. Não é deslize. Não é uma “coisinha barata”. Roubo envolve violência ou grave ameaça. A vítima não perde apenas um aparelho. Muitas vezes, perde a paz. Perde documentos, fotos, acesso a banco, dados pessoais e segurança. Em alguns casos, perde a própria vida.


O Brasil registra números assustadores. São centenas de milhares de roubos e furtos de celulares por ano. O aparelho virou porta de entrada para golpes, invasão de contas, estelionato e outros crimes. Mesmo assim, Lula pareceu mais preocupado com a “inquietação econômica” de quem está com o celular roubado do que com a vítima que teve o bem arrancado à força.


No mesmo discurso, ele ainda disse: “Quem é que não gosta de comprar uma coisinha barata? Todo mundo gosta”. A frase é reveladora. O problema deixa de ser o crime. Passa a ser o aperto financeiro de quem está com produto roubado. É a velha inversão de valores.


Não se trata de negar a pobreza. Não se trata de fechar os olhos para a desigualdade. O problema é usar a pobreza como cortina de fumaça para suavizar o crime. Quem compra produto roubado alimenta o mercado do roubo. E quem alimenta esse mercado ajuda a manter a engrenagem que coloca arma na cabeça de trabalhador, estudante, mãe de família e idoso.


Mas essa lógica não é nova. Lula e o PT costumam olhar para o criminoso como vítima do sistema antes de olhar para a vítima real. A culpa é sempre da sociedade, da desigualdade, da falta de oportunidade ou de qualquer outra coisa. Menos de quem escolheu roubar, agredir, ameaçar ou matar.


Enquanto isso, o policial que enfrenta o crime na rua vira suspeito. O delegado que investiga vira ameaça. O investigador que recupera bens roubados vira alvo de desconfiança. O escrivão que registra ocorrência vira parte do problema. O perito que ajuda a provar crimes vira invisível.


Isso não é justiça social. É desmoralização da autoridade.


Demandas locais


A sessão também mostrou que os problemas de Araxá vão muito além do debate nacional.


O vereador Investigador Rodrigo apresentou o Projeto de Lei “República Legal”, para regulamentar repúblicas e moradias coletivas em Araxá, com exigência de cadastro, fiscalização, alvará, AVCB e responsável legal pelo imóvel. O vereador também defendeu estudos para a construção de uma nova rodoviária por meio de Parceria Público-Privada. Segundo ele, Araxá precisa de uma estrutura mais moderna, segura e adequada ao crescimento da cidade.


Rodrigo do Comercial Aeroporto pediu informações sobre a arrecadação municipal dos últimos dois exercícios financeiros. Também cobrou dados técnicos sobre o funcionamento da UPA, incluindo tempo de espera, internações, leitos de UTI, transferências e atendimentos de alta complexidade. Além disso, propôs a criação do Banco de Ideias Legislativas e apresentou o programa “Doação que Salva”.


João Veras defendeu a modernização das regras para placas, painéis, banners e publicidade comercial. Também pediu o projeto Catraca Livre, com gratuidade no transporte coletivo aos domingos e feriados, além de melhorias em espaços públicos do bairro Urciano Lemos.


João Paulo da Filomena propôs a atualização da lei sobre animais soltos em vias públicas. Também cobrou informações sobre o programa “Asfalto Novo, Nossa Gente Feliz”, incluindo lista de ruas, bairros, cronograma e previsão de execução. Na área da cultura, destacou avanços da Política Nacional Aldir Blanc em Araxá.


Marciony Sucesso pediu melhorias viárias, faixa elevada, limpeza, capina, drenagem urbana e reforço de segurança em praça pública. Também cobrou explicações da Cemig sobre quedas frequentes de energia na região da Antinha, entre Araxá e Perdizes.


Maristela Dutra cobrou informações sobre a progressão horizontal e vertical dos servidores da educação. Também apresentou demandas sobre conservação do Parque do Cristo, ruídos no bairro Guilhermina, videomonitoramento em terreno público e melhorias no trânsito da Avenida Amazonas.


Kaká levou pedidos de recuperação de vias urbanas e rurais, operação tapa-buracos, sinalização de trânsito e estudos para instalação de câmeras nos cemitérios das Paineiras e São João Batista.


A reunião deixou um retrato claro. De um lado, vereadores levaram cobranças que nascem da vida real da população: saúde, segurança, transporte, educação, infraestrutura e fiscalização do dinheiro público. Do outro, o presidente da República foi exposto tratando roubo de celular com uma leveza assustadora e jogando desconfiança sobre a Polícia Civil.


Celular roubado não é “coisinha barata”. É crime. E quem governa o país deveria saber a diferença entre proteger o povo e passar a mão na cabeça de quem alimenta o crime.


Projetos aprovados:


Projeto de Lei nº 140 de 2026: Institui no âmbito do Município de Araxá o “Junho Verde da Imunização – Mês Municipal de Incentivo à Vacinação” e dá outras providências. Autor: Executivo.


Projeto de Lei nº 147 de 2026: Autoriza o Poder Executivo a implementar o programa “Colônia de Férias Legal”, no âmbito do Município de Araxá, e dá outras providências. Autor: Vereador Chicão Jesus Te Ama.


Projeto de Lei nº 149 de 2026: Institui o Programa Municipal “Mulher Segura” de Defesa Pessoal, Prevenção à Violência e Fortalecimento da Autoproteção Feminina no Município de Araxá/MG, e dá outras providências. Autor: Vereador Investigador Rodrigo.


Projeto de Lei nº 150 de 2026: Institui a Carteira Municipal de Identificação da Pessoa com Síndrome de Down - CIPSD, no âmbito do município de Araxá- MG, e dá outras providências. Autor: Vereador João Veras.


Projeto de Lei nº 158 de 2026: Autoriza ao Poder Executivo a realização de despesas destinado à colaboração do Município na realização do evento “ExpoQueijo Brasil 2026” e dá outras providências. Autor: Executivo.


Projeto de Lei nº 159 de 2026: Autoriza a abertura de crédito especial no orçamento vigente da Secretaria Municipal de Agricultura visando da seguinte atividade de Apoio a Unidade de Conservação de Plantas Medicinais do Cerrado, e dá outras providências. Autor: Executivo.


Projeto de Lei nº 160 de 2026: Autoriza o Poder Executivo a celebrar Termo de Fomento com a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados de Araxá-APAC no sentido de conceder-lhe contribuição social no valor de R$ 85 mil para fins de custeio e manutenção de suas atividades. Autor: Executivo.


Projeto de Lei nº 161 de 2026: Dispõe sobre a regulamentação do art. 98, “VIII”, da Lei Municipal nº 7.836/2022 no âmbito do Poder Legislativo do Município de Araxá, e dá outras providências. Autor: Mesa Diretora.

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