Vereadores ampliam máquina pública em Araxá
- Gi Palermi
- 9 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Três projetos criando novos cargos na Saúde e na Fundação Cultural foram aprovados aumentando o peso da estrutura municipal.
A Câmara Municipal de Araxá aprovou, na sessão ordinária desta terça-feira (09.dez.2025), três projetos de lei que criam novos cargos comissionados na Prefeitura. São propostas que ampliam a máquina pública, elevam o custo fixo do Município e chegam com a promessa de resolver problemas graves da saúde e adequar a estrutura da Fundação Cultural Calmon Barreto a um parecer do Ministério Público.
Os três projetos enviados pela administração Robson Magela e Bosco Júnior criam, ao todo, 14 cargos comissionados — todos de livre nomeação, sem concurso. Somados, passam de R$ 3 milhões por ano em salários, encargos e benefícios.
Fundação Cultural
O Projeto de Lei n° 291 de 2025 cria quatro cargos de assessor da Presidência da Fundação Cultural Calmon Barreto. Na justificativa, o prefeito Robson Magela afirmou que não haveria aumento de gastos. Mas os documentos oficiais mostram o contrário: há impacto financeiro, com acréscimo nas contas da Fundação até 2027.
Além disso, as funções são amplas, vagas, e podem ser usadas politicamente. Não resolvem nenhum problema urgente — e aumentam custos.
A proposta passou por 9 votos a 3. Os vereadores Maristela Dutra, Professor Jales e Rodrigo do Comercial Aeroporto apresentaram parecer contrário e votaram contra.
Urgência e Emergência
O Projeto de Lei n° 293 de 2025 cria três cargos de Médico Diretor Técnico da Rede de Urgência. Cada vaga custará R$ 20 mil por mês, chegando a quase R$ 1 milhão por ano. A justificativa diz que esses profissionais vão melhorar o atendimento da urgência e emergência.
Mas há dúvidas: as funções são totalmente técnicas e exigem independência. Mesmo assim, serão cargos comissionados, de livre nomeação do prefeito. O risco de indicação política em área que deveria ser técnica existe — e preocupa. A proposta foi aprovada por unanimidade: 12 votos a 0.
UPA e Ame's
O Projeto de Lei n° 294 de 2025 é o mais caro e o mais amplo. Cria sete cargos técnicos na Saúde: médico auditor, médico regulador, médico diretor clínico, médico responsável técnico, entre outros. Em muitos municípios, esses postos são ocupados por servidores concursados. Aqui, serão de confiança.
O impacto financeiro também é alto: mais de R$ 1 milhão por ano. E o texto traz um ponto incomum: parte da carga horária poderá ser feita em teletrabalho, mesmo sendo funções de responsabilidade técnica que, na prática, costumam exigir presença física nas unidades.
A proposta foi aprovada por 11 votos a 1. O vereador Professor Jales votou contra.
Conta Maior
Com essas aprovações, a Câmara amplia despesas permanentes, cria novos cargos comissionados e aumenta a estrutura administrativa para 2026. A justificativa da administração Robson-Bosco é que os novos postos vão trazer organização, qualidade e eficiência para a rede municipal de saúde — que vive um dos piores momentos da sua história recente.
Pacientes sofrem com diagnósticos tardios, filas para consultas com especialistas, demora para conseguir exames, mortes evitáveis, pacientes na UPA e nas AMEs à espera de vagas em leitos hospitalares e UTI.
Expectativa da População
Agora, com a estrutura maior e mais cara, a expectativa é objetiva: se o governo Robson-Bosco ampliou a máquina e aumentou os gastos, a população quer resultado. Quer ver a fila andar. Quer atendimento rápido. Quer médicos presentes. Quer menos sofrimento — e não quer mais mortes por demora no diagnóstico.
Os vereadores aprovaram tudo o que a administração pediu. A conta fica para o trabalhador, que banca tudo por meio de taxas e impostos.
A cobrança, daqui pra frente, recai sobre quem garantiu que esses cargos seriam a solução para a saúde. Araxá espera que essa promessa se cumpra — porque a cidade não suporta esperar mais.




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