Câmara de Tapira empossa novo vereador
- Gi Palermi
- 6 de nov.
- 2 min de leitura
Com a licença de Elizeu Lourenço, Doriquinho assume cadeira no Poder Legislativo, mas mudança é vista como apenas figurativa no jogo político local.
A Câmara Municipal de Tapira começou o mês de novembro com mudança. Na sessão ordinária desta segunda-feira (03.nov.2025), o primeiro suplente Odorico Ribeiro das Neves, conhecido nas urnas como Doriquinho, assumiu uma cadeira no Poder Legislativo. Ele entra no lugar de Elizeu Lourenço, que se licenciou do mandato em 1° de novembro. A posse de Doriquinho foi discreta, sem protocolos elaborados ou discursos acalorados. Mudou o ocupante da cadeira, mas ao que parece, tudo permanecerá igual.
Oficialmente, Tapira tem um novo vereador. Politicamente, a previsão é que nada mude. Doriquinho é do mesmo partido de Elizeu Lourenço — o PL — e é visto internamente como alinhado ao vereador afastado. Nos bastidores, o comentário é que o suplente deve manter o roteiro já estabelecido, evitando qualquer risco de alteração de rota ou perda de influência do titular.
Em outras palavras: entra um novo nome, mas o comando permanece o mesmo.
Licença anunciada
No papel, Elizeu Lourenço pediu afastamento por “motivos particulares”. Porém, em discurso na tribuna em 27 de outubro deu outra versão para o público. Ele afirmou ter sido alvo de uma denúncia ao Ministério Público, questionando a acumulação do seu cargo de procurador da prefeitura com o mandato eletivo na Câmara.
Elizeu disse que estava tranquilo, “de cabeça erguida”, e garantiu que a Constituição o ampara. Ao mesmo tempo, reconheceu que o caso está sob análise do Tribunal de Contas, da OAB e do Ministério Público. E foi justamente essa mistura de segurança e defesa que fez o discurso soar meio contraditório. Afinal, quem está tão convicto assim de que está certo não precisaria se afastar.
Na tribuna, Elizeu falou em injustiça, perseguição política e fé em Deus. Prometeu recorrer à Justiça para provar que pode exercer os dois cargos. Mas, curiosamente, a licença começou antes mesmo de qualquer decisão definitiva. E o mais simbólico de tudo é que ele próprio reconheceu que o afastamento “foi requerido pelo Ministério Público”, o que enfraquece a tese dos “motivos particulares” escrita no papel.
Nos bastidores, o clima é de cautela — ninguém fala muito abertamente, mas há quem veja o gesto como uma saída estratégica para evitar desgaste maior, enquanto o caso é avaliado pelos órgãos de controle.
O que está em jogo
A licença de Elizeu Lourenço coloca o foco em uma questão maior: pode um procurador municipal fiscalizar o próprio Executivo? É possível exercer um cargo técnico dentro da Prefeitura e, ao mesmo tempo, um mandato fiscalizador na Câmara?
Enquanto o Ministério Público analisa a denúncia e os órgãos de ética se manifestam sobre possíveis conflitos de função, a população de Tapira observa à distância — sem saber se está diante de uma medida de prudência, de um movimento político planejado ou de uma saída temporária para aliviar a pressão.
Por agora, o que se sabe é simples: a composição da Câmara mudou, mas no fim das contas, tudo permanecerá do mesmo jeito.




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