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Vereadores voltam atrás em Tapira

  • Foto do escritor: Gi Palermi
    Gi Palermi
  • 17 de set.
  • 3 min de leitura

Câmara aprova anulação da votação que mudou regras de composição da Mesa Diretora; mas proposta ainda segue em tramitação. Em Tapira, os vereadores aprovaram nesta segunda-feira (15.set.2025) o Projeto de Resolução nº 07 de 2025, de autoria do vereador Elizeu Lourenço. O texto anulou a votação realizada no dia 1º, quando havia sido aprovado em primeiro turno um Projeto de Emenda à Lei Orgânica que muda as regras de composição da Mesa Diretora.

No papel, parecia um recuo. Na prática, não passou de uma manobra ensaiada. Todos os vereadores que tinham dado sinal verde para a emenda agora votaram pela anulação. Até o próprio autor do pedido de anulação, Elizeu Lourenço, virou o leme da canoa: votou a favor da emenda e agora é autor da proposta que conseguiu a anulação. O placar terminou em sete votos favoráveis e duas abstenções.

Votaram pela anulação: Elizeu Lourenço, Guilherme do Jamil, Índio, Kaká, Leandra Goulart e Neylson. A surpresa veio no voto de Juninho das Palmeiras — ele havia votado contra a emenda e agora votou pela anulação. Já as vereadoras Ana Paula e Duda do Cairo se abstiveram de votar. Abstenções justificadas

Ana Paula usou a tribuna para explicar sua abstenção. Disse que não se tratava de omissão, mas de protesto. Para ela, a anulação é apenas a confissão de que houve atropelo, de que a sessão anterior feriu o regimento, impediu o debate e negou direitos básicos. Só que, segundo ela, o problema não é apenas o erro de procedimento, mas a própria emenda, que já nasceu viciada. A vereadora comparou a anulação a remédio para febre:


"Votar para anular este ato seria como tratar a febre, mas ignorar a infecção que a causa”, declarou a vereadora.

Duda do Cairo também justificou sua abstenção. Para ela, a anulação não resolve o problema de origem, já que a proposta nasceu viciada, fruto de interferência do Poder Executivo para atender a interesses que não são os da população. Segundo a vereadora, reiniciar o processo seria legitimar uma iniciativa ilegítima desde o começo. Como ela resumiu em plenário:


“Não se conserta o que nasceu torto. (...) Votar para anular a primeira votação seria aceitar que essa proposta ilegítima continue a tramitar.”

Regras em jogo


A doença, nesse caso, é a tentativa de mudar as regras de funcionamento da Câmara para atender a um interesse imediato. Hoje, a presidência da Casa segue a fila dos quatro mais votados, em rodízio anual. Pela ordem, quem deveria assumir em janeiro é Ana Paula, que integra o grupo de oposição à administração Maura do Barroso e Jamil. A emenda rompe essa fila e leva a escolha para o plenário. Como a prefeita tem maioria folgada, não há suspense: o controle da Mesa cairá nas mãos de aliados.


É por isso que não há surpresa alguma. Mesmo antes de a resolução que anulou a votação ser sancionada, a proposta de emenda já foi recolocada em movimento e enviada à Comissão de Justiça, Finanças e Direitos Humanos. O script parece claro: “anular” para limpar a cena e, logo em seguida, refazer a votação com a certeza de se obter o mesmo resultado.


Tabuleiro definido


O pano de fundo dá a esse jogo ainda mais peso. A prefeita e o vice já foram cassados em primeira instância por compra de votos e abuso de poder. Recorrem, mas se perderem, quem assume interinamente a Prefeitura é o presidente da Câmara. Em outras palavras, mexer nas regras da Mesa é mexer na linha sucessória da Prefeitura.


E nesse ponto, os laços de família se misturam ao tabuleiro político. A prefeita é esposa do ex-prefeito Barroso, que já governou Tapira por dois mandatos. O atual presidente da Câmara, Kaká, é sobrinho do casal e visto como herdeiro político do grupo. O recado é simples: as regras estão sendo mudadas para que o poder continue dentro do mesmo círculo.


O que Tapira vê hoje não é uma disputa equilibrada, mas um jogo em que a torcida já sabe o placar final. A anulação não foi derrota para a base da prefeita, mas apenas uma jogada para reorganizar as peças no tabuleiro. No fundo, a pergunta que permanece sem resposta é: até que ponto mudar as regras do jogo com a bola em campo ainda pode ser chamado de democracia?

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