Vereador quer anular votação polêmica em Tapira
- Gi Palermi
- 10 de set.
- 2 min de leitura
Intenção é suspender avanço da emenda que mudaria regras de escolha da Mesa Diretora e influenciaria até a sucessão da Prefeitura; mas Resolução ainda não tem dada para ser apreciada em plenário.
A briga pela Presidência da Câmara de Tapira ganhou um novo capítulo. Na segunda-feira (08.set.2025) o vereador Elizeu Lourenço apresentou o Projeto de Resolução nº 07 de 2025. Ele pede a anulação da votação feita no dia 1º de setembro, quando a Câmara aprovou em primeiro turno a emenda que muda as regras da Mesa Diretora. O projeto foi apenas protocolado e agora precisa cumprir um prazo de oito dias antes de ir para o plenário.
Vale destacar que Elizeu havia votado a favor da emenda no dia 1º de setembro. A mudança de posição chama atenção e reforça o peso da pressão popular e das críticas feitas pela oposição. Na justificativa, o vereador acolheu argumentos já apresentados em plenário pela vereadora Duda do Cairo, que havia apontado a inconstitucionalidade da proposta por interferência do Poder Executivo em assuntos internos do Poder Legislativo.
Elizeu também aponta erros graves na condução da sessão anterior. Entre eles, a comissão responsável não foi chamada formalmente para analisar a proposta, a matéria não foi divulgada com antecedência a todos os vereadores, o pedido de vista da vereadora Ana Paula foi negado e a votação foi feita às pressas, com efeitos imediatos sobre a legislatura atual.
O projeto ainda não tem data para ser votado. Se for aprovado, a primeira votação da emenda deixa de valer e o processo precisa começar de novo, passando pela comissão e respeitando os prazos internos da Câmara.
Tema polêmico
O tema é polêmico porque a emenda proposta pela administração Maura do Barroso e Jamil muda a forma de escolha da Presidência. Hoje, a regra é simples: os quatro vereadores mais votados se revezam a cada ano no comando da Casa. Pela ordem, a próxima presidente seria Ana Paula, da oposição. A mudança quebra esse rodízio e leva a escolha para o plenário. Como a base da prefeita tem maioria, a mudança garantiria que a Mesa Diretora fosse comandada por aliados.
A pressa em aprovar a proposta levantou suspeitas porque a prefeita e o vice já foram cassados em primeira instância por compra de votos e abuso de poder. Eles ainda recorrem no Tribunal Regional Eleitoral, mas se a decisão for confirmada, quem assume interinamente a Prefeitura é o presidente da Câmara até a nova eleição.
Os laços familiares reforçam as críticas. A prefeita é casada com o ex-prefeito Barroso, que já governou Tapira por dois mandatos. O atual presidente da Câmara, Kaká, é sobrinho do casal e apontado como o nome preparado pelo grupo para manter o poder político na família.
Por enquanto, o que existe é apenas o pedido de anulação protocolado. O projeto vai tramitar e depois será votado em plenário. Até lá, o futuro da emenda que muda as regras da Câmara continua indefinido.




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